Apresentação
A ABDIB completa 70 anos em 2025 como referência institucional do setor de infraestrutura no Brasil. Este manual é a contribuição do Grupo de Trabalho de Modelos de Gestão, Alocação de Riscos e Contratos em Construção Pesada à comunidade técnica, com o objetivo de consolidar boas práticas contratuais capazes de capturar a janela histórica de investimentos privados em infraestrutura.
Por que este manualO contexto
Brasil tem nos próximos 5 anos R$ 757,3 bi em 469 projetos mapeados pelo Livro Azul ABDIB 2025, com 84% de participação privada — patamar inédito. Em paralelo, ecossistema fragilizado: construtoras concentradas, projetistas no caminho crítico, gargalo de equipamentos e mão de obra.
O que este manual entregaO escopo
11 capítulos cobrem: 3 dimensões contratuais (Sistema, Forma, Preço); Caso Rodoanel; modelos praticados em concessões rodoviárias BR; tendências globais (PDB, JCT, Alliance, NEC4, FIDIC); matriz de alocação de riscos; gestão de mudanças; estudo de caso simulado; recomendações; quadro legal.
Para quem é este manualO público
Concessionárias, construtoras, projetistas, advogados, financiadores, seguradoras, reguladores e governos. Quem decide modelo contratual no início de projetos de infraestrutura. Quem gestiona contratos no meio. Quem reequilibra ao final.
▰ Tese central
Inovação contratual no Brasil = combinar criativamente o que já existe + conhecer e aprofundar a aplicação de modelos consagrados internacionalmente. Não inventar, mas aplicar com profundidade.
O Grupo de Trabalho da ABDIB foi constituído em maio/2025 e tem ciclo previsto até junho/2026, totalizando ~14 meses de trabalho colaborativo. As reuniões ocorrem mensalmente, sempre ao redor do dia 5 de cada mês. Cada apresentação avançou um aspecto da matriz contratual-de-risco, num caminho que partiu do diagnóstico estrutural e chegou à consolidação deste manual.
▰ Método
O trabalho do GT seguiu método iterativo: cada reunião aprofundou um aspecto específico (estruturas → tempos → contratos → óticas → seguros), com cumulatividade analítica. As apresentações estão disponíveis em PDF clicando nas etiquetas 📎 APx acima.
Sumário do Manual 11 capítulos · ~32 páginas A4 + 5 slides · 25+ visuais · 6 PDFs anexos
▰ O Contexto
R$ 757,3 bi469 projetos1 mapeados pelo Livro Azul ABDIB 20251 nos próximos 5 anos, com 84% privado — patamar inédito.
⚠️ Gap de capacidade: setor cresceu +147% em 7 anos (R$ 143,8 bi/ano em 2024)31 · mas demanda total (infra + O&G + mineração + DC) excede oferta · 4 estresses ativos: equipamentos · mão de obra · gestão contratual privada · projetistas no caminho crítico permanente.
▰ A Tese Central ⭐
"A alocação de risco do contrato começa pelo modelo contratual."
Modelo → Risco → Gestão. Causal, não paralelo. Inovação = combinar criativamente + aprofundar modelos internacionais.
▰ A Resposta Brasileira
PU no leilão → PG + PU residual em itens incertos (terraplenagem, geotecnia, OAE, restaurações).
Caso Rodoanel SP comprova▰ Top 5 Recomendações de Melhores Práticas
- Modelo é decisão estratégica, não administrativa
- ⭐ Modelo PU→PG+PU residual (Rec #12 · central)
- Lucro absoluto fixo em PMG (elimina incentivo perverso)
- PU sustentado até globalizar PG (mantém investidor engajado)
- ⭐ Gestão formal de mudanças (Rec #11 · −60-80% claims)
▰ O que este Manual traz
- 11 capítulos + 7 apêndices em ~22 páginas
- 12 modelos contratuais mundiais comparados (Apêndice G ⇄)
- Caso Rodoanel + Simulado R$ 2 bi com mecânica completa
- 12 Recomendações acionáveis sem reforma legal
- GED com 20 documentos linkados
- Apresentação executiva de 5 slides ao final
▰ Como ler · 3 rotas
O Contexto Brasileiro · GT e Construção Pesada
1.1 O GT em uma página
| Nome oficial | GT ABDIB · Modelos de Gestão, Alocação de Riscos e Contratos em Construção Pesada |
| Coordenação | Manta Associados (Maurício Neves) + Aroeira Salles Advogados (Mariana Miraglia) |
| Ciclo | Mai/2025 → Jun/2026 · 24 meses · 16 apresentações catalogadas |
| Contexto | Edição comemorativa 70 anos ABDIB |
| Entregas | Este Manual · Seminário Presencial · Posicionamento ABDIB · GED documental |
1.2 A janela histórica · R$ 757,3 bilhões · 469 projetos
O Livro Azul da Infraestrutura ABDIB 2025 mapeia 469 novos projetos federais, estaduais e municipais que totalizam R$ 757,3 bilhões em investimentos previstos, distribuídos em rodovias, ferrovias, energia, saneamento, portos, aeroportos, mobilidade urbana e infraestrutura social. Situação em 22 de outubro de 2025.1 O setor privado responde por 84% desses investimentos1 — patamar inédito. Em 2024, o investimento privado em infraestrutura atingiu R$ 165 bi, maior valor da série histórica.1
Distribuição setorial dos 469 projetos
| Setor | Projetos | R$ bi | % total |
|---|---|---|---|
| Rodovias | 61 | 209,5 | 27,7% |
| Ferrovias | 19 | 183,3 | 24,2% |
| Mobilidade Urbana | 35 | 174,6 | 23,1% |
| Saneamento | 21 | 81,1 | 10,7% |
| Energia Elétrica | 37 | 24,3 | 3,2% |
| Infra Social | 129 | 20,0 | 2,6% |
| Portos | 33 | 18,9 | 2,5% |
| Resíduos · Aeroportos · Comm · Iluminação · outros | 134 | 45,6 | 6,0% |
| TOTAL | 469 | 757,3 | 100% |
Fonte: Livro Azul ABDIB 2025, p. 320 · Situação em 22/10/2025.1
Por origem: R$ 327,5 bi federal + R$ 429,8 bi outros entes (Estados, DF, Municípios). Concentração regional: Sudeste R$ 270,7 bi · Nordeste R$ 75,9 bi · Centro-Oeste R$ 32,1 bi · Norte R$ 27,1 bi · Sul R$ 24,1 bi.1
1.3 O setor fragilizado para entregar
Em paralelo à onda de investimentos, o ecossistema que entrega essas obras passa por fragilidades estruturais:
| Ator | Diagnóstico |
|---|---|
| Construtoras | Concentração e fragmentação pós-Lava Jato · capacidade limitada para projetos > R$ 2 bi |
| Projetistas | Escassez crítica · perda de seniores na última década · gargalo de capacidade |
| Mão de obra | Falta de engenheiros e técnicos seniores · disputa entre projetos eleva custos |
| Reguladores | Capacidade técnica reduzida · equipes envelhecidas · defasagem frente à complexidade dos contratos |
| Investidores | Apetite alto exigindo previsibilidade · não absorvem mais risco em lump sum |
| Seguradoras | Mercado limitado para grandes contratos · prêmios subindo · capacidade restrita |
1.4 ⭐ A grande mudança · Obra Privada vs Obra Pública no Brasil
A diferença mais relevante para entender por que os modelos contratuais precisam evoluir está em como obra pública e obra privada são implantadas. São processos radicalmente distintos quanto à maturidade do projeto, alocação de risco e velocidade.
Leilão de investimento com ~20% de projeto
- Leilão com ~20% de maturidade do projeto
- Risco altíssimo de quantidade (±30-50%)
- Risco altíssimo de preço de insumos
- Concessionária assume riscos do CAPEX
- Remuneração via tarifa de pedágio
- Regulação via Matriz de Risco contratual
Licitação com projeto detalhado pronto
- Licitação com projeto detalhado completo
- Quantitativos definidos baseados no projeto
- Preços unitários SICRO / SINAPI
- Poder Público assume risco de projeto
- Construtor executa com PU fixado
- Velocidade limitada · projeto antes do leilão
⚠️ Consequência crítica: projeto detalhado vira CAMINHO CRÍTICO pós-leilão privado
No modelo privado, o leilão fecha com 20% de projeto — mas o projeto definitivo precisa ficar pronto para a obra avançar. Esse projeto pós-leilão é o gargalo de cronograma do empreendimento. Os modelos contratuais inovadores (PMG, ECI, PDB, PU residual) são respostas técnicas a esse problema.
1.5 Construção Pesada · o perímetro deste manual
Construção pesada = obras de infraestrutura física com CAPEX bilionário, prazos longos (3-10 anos) e incerteza geotécnica/ambiental: rodovias, ferrovias, energia, saneamento, portos, aeroportos, túneis, OAEs, mobilidade urbana. Brasil tem ~8.000 km de rodovias concedidas — maior número absoluto do mundo. Práticas de obra civil leve não servem aqui.
1.6 ⭐ Capacidade das construtoras × demanda · o gap real do mercado
Os R$ 757,3 bi do Livro Azul são apenas a primeira camada da demanda. Em paralelo, mineração, óleo & gás, indústria pesada, data centers, COP30 e a reconstrução do RS competem pelos mesmos equipamentos, mão de obra qualificada e capacidade de gestão. Esta seção mostra que a oferta atual do setor de engenharia não é suficiente para esse volume — e que o estresse já é visível.
A · A capacidade atual do setor (2024)
O Ranking da Engenharia Brasileira 2025 (Revista O Empreiteiro) consolidou o faturamento das 190 maiores empresas em R$ 143,81 bilhões em 202431, subdividido em quatro segmentos: Construtoras, Projetistas e Gerenciadoras, Montagem Industrial e Serviços Especiais de Engenharia. O segmento Construtoras sozinho — núcleo da execução de obras pesadas — somou R$ 82,6 bilhões entre as 100 maiores31.
B · A evolução recente · um crescimento brutal pós-Lava Jato
A recuperação do setor desde 2018 foi excepcional em ritmo:
- Setor consolidado (190 maiores): +147,41% de receita acumulada entre 2018 e 202431
- Apenas Construtoras (100 maiores): +126% no mesmo período31
- Montagem Industrial: +146% desde 201831
- Serviços Especiais de Engenharia: +297% acumulados31
Esse crescimento brutal — superior a 100% em sete anos — é o que está estressando o setor. A oferta cresceu, mas não na velocidade da demanda que se materializou em paralelo (concessões, Novo PAC, mercado privado, eventos como COP30).
C · Top 10 construtoras brasileiras · 2024 (anonimizado)
Por se tratar de manual de práticas setoriais, os nomes específicos das construtoras são omitidos. A análise foca em magnitude e distribuição. Lista nominal completa disponível no Ranking 2025 da Revista O Empreiteiro31.
| # | Empresa | Origem | Receita 2024 (R$ mi) | Var. 23/24 |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Construtora A (líder) | SP | 5.246 | +72% |
| 2 | Construtora B (multinacional) | SP | 3.926 | +27% |
| 3 | Construtora C (multinacional) | SP | 3.764 | +14% |
| 4 | Construtora D | MG | 3.530 | +15% |
| 5 | Construtora E | MG | 2.652 | +58% |
| 6 | Construtora F | SP | 2.077 | +8% |
| 7 | Construtora G | RJ | 1.933 | +38% |
| 8 | Construtora H | MG | 1.793 | +15% |
| 9 | Construtora I | SP | 1.777 | +78% |
| 10 | Construtora J | RJ | 1.763 | +35% |
Concentração: Top 10 somam R$ 28,4 bi = 34% das 100 maiores construtoras · 6 sediadas em SP, 3 em MG, 2 em RJ · Fonte: Ranking 2025 · Revista O Empreiteiro · edição 602 (Ago/Set 2025).31
D · A demanda real vai muito além dos R$ 757,3 bi
Construção pesada de infraestrutura é apenas parte da demanda que disputa o mesmo pool de empresas, equipamentos e profissionais. Em paralelo, vários setores também aceleram:
E · O gap quantitativo · uma balança visual clara
sem cobertura no mercado
(Construtoras + Projetistas + Montagem Industrial + Serviços Especiais)
+147% acumulado 2018-2024[31]
F · Os 4 estresses simultâneos do setor
O crescimento brutal (+147% em 7 anos) sem expansão proporcional da estrutura física e humana criou quatro pontos de estresse que operam simultaneamente e amplificam riscos contratuais:
- Locação dispara: +15-64% no segmento31
- Concorrência simultânea por equipamentos pesados
- Reposição CAPEX limitada por balanços frágeis
- Salários +30-50% em 2 anos para seniores
- Engenharia de campo, planejamento, contratos
- Soldadores, operadores, mestres de obra
- Mercado privado paga mais — perda para concessionárias
- Times de claims e contratos sub-dimensionados
- Gestão de mudanças, milestones de PMG, open book — competências novas
- Conflito "DNA pública" × "DNA concessão"
- Maioria das projetistas <200 funcionários
- Geotecnia, OAEs, ferroviário, elétrico em escassez aguda
- BIM e digitalização incipientes em infra pesada
- ⚠️ No modelo privado é o caminho crítico permanente
⭐ Por que o projetista está SEMPRE no caminho crítico (modelo privado)
O 4º estresse merece um detalhamento próprio. Em concessões privadas, o projetista nunca sai do caminho crítico por uma razão estrutural — não é falta de capacidade isolada, é a forma como o modelo opera:
A combinação poucos estudos no leilão + prazo curto para preparar lance + obra que precisa começar antes do projeto estar pronto = projetista pressionado permanentemente. Isso explica boa parte dos aditivos, claims e reequilíbrios que vemos hoje em concessões — não é só geotecnia surpresa, é projeto sub-amadurecido por construção.
A "janela histórica" só será capturada se os três estresses forem endereçados em paralelo: ampliar parque de equipamentos, formar mão de obra qualificada (centros de excelência, programas de trainees) e — onde o GT mais pode contribuir — adaptar os modelos contratuais à nova realidade de obra privada.
Modelos lump sum tradicionais em obra com 20% de projeto, equipe operando no limite e equipamentos disputados amplificam riscos. Modelos colaborativos (CMR + PMG, PDB, Target Cost, ECI formal) distribuem esses estresses entre as partes em vez de concentrá-los no construtor.
O setor não cresceu apenas em receita — cresceu 147% em 7 anos sob estresse. A boa notícia é que esse crescimento prova que há capacidade de resposta. A má é que não há margem para erros de modelagem contratual. Cada R$ 1 bi alocado em modelo errado adiciona pressão sobre um setor já no limite.
R$ 757,3 bi em 5 anos é uma oportunidade histórica. Só será capturada com modelos contratuais que compensem as fragilidades do ecossistema, não que as amplifiquem. Esta é a razão deste manual.
- ABDIB · Livro Azul da Infraestrutura 2025 · Diretoria de Planejamento e Economia · São Paulo, novembro/2025. Quadro resumo p. 320 · Investimentos privados cap. 12, p. 320-330 · Situação em 22/10/2025.
- Apresentação AP6 do GT · "Ótica do Empreendedor — Matriz de Risco + RDC + ECI" · Manta Associados, 01/12/2025. Diagnóstico do setor fragilizado.
- Revista O Empreiteiro · Edição 602 (Ano LXIV, Ago/Set 2025) · "Ranking da Engenharia Brasileira 2025 · As 190 maiores empresas faturaram R$ 143,81 bilhões em 2024" · p. 286-336. Pesquisa exclusiva da Revista. Inclui Top 10 construtoras, série histórica 2018-2024, segmentos de Construtoras / Projetistas / Montagem Industrial / Serviços Especiais.
A escolha do modelo contratual define a alocação de risco
"A alocação de risco do contrato começa pelo modelo contratual."
A escolha do modelo (Sistema × Forma × Estrutura de Preço) já define em grande parte como os riscos serão distribuídos entre as partes e como o projeto precisará ser gerido. Modelo errado não se conserta com gestão sofisticada depois.
A escolha do ponto no espectro determina a alocação de risco · não é decisão administrativa, é estratégica.
2.1 O fluxo causal · Modelo → Risco → Gestão
2.2 Inovação não é inventar · é combinar + aprofundar
A inovação contratual relevante para o Brasil não exige reinventar a roda. As ferramentas necessárias já existem — DBB, DB, EPC, CMR, PDB, Alliance, Lump Sum, PU, PMG, Target Cost, ECI, EI. A inovação está em dois movimentos complementares:
Combinar criativamente o que já existe
Sistemas × Formas × Estruturas têm ~150 combinações teóricas possíveis. O Brasil usa 3-4 por convenção. A inovação aplicada está em escolher a combinação certa para cada projeto.
→ Caso Rodoanel é a prova brasileira
Adaptar e aprofundar modelos internacionais
PDB nos EUA12, JCT Target Cost no UK14, Alliance na Austrália15, NEC4 mundial16, FIDIC Collaborative17 — modelos consagrados que operam dentro do quadro legal brasileiro atual sem precisar de reforma.
→ Não é importar · é aprofundar a aplicação
2.3 Implicações práticas
- Escolher o modelo é decisão estratégica, não administrativa. Não cabe ao jurídico ou ao "padrão da casa".
- Gestão sofisticada não conserta modelo errado. EI, ECI, governança colaborativa operam dentro da alocação definida — não a corrigem.
- Profundidade técnica é o diferencial. Conhecer e aplicar modelos internacionais com profundidade é a forma mais rápida e segura de inovar no Brasil.
- Apresentação AP de 03/12/2025 · "Ótica do Construtor — 3 dimensões, PMG, SICRO, boa fé" · Manta Associados. Origem da tese central.
- Apresentação AP4 de 16/10/2025 · "Alocação de Riscos em Contratos Privados — versão completa" · Manta + Aroeira Salles. Sistemas + estruturas + espectro de colaboração.
- DOT South Dakota · Progressive Design-Build One Pager · fev/2025. FHWA federal guidance.
- JCT (Joint Contracts Tribunal) · "Target Cost Contract" · UK, jun/2025. Primeira versão oficial.
- Colliers Project Leaders · "Alliance Contracts" · jun/2025. Track record AUS/NZ.
- NEC4 · Engineering and Construction Contract · 6 opções de pricing A-F. Adotado HK · Peru · África do Sul · Singapura (Nishimura & Asahi, out/2024).
- FIDIC · Collaborative Contract · primeira versão dez/2024 · BCLP/Practical Law, FIDIC International Contract Users' Conference 2024.
As 3 Dimensões e o Caso Brasileiro de Sucesso
As 3 Dimensões do Modelo Contratual + Caso Rodoanel
3.1 As 3 Dimensões independentes
Sistema de Entrega
- DBB · projeto e obra separados
- DB / EPC · responsabilidade única
- CMR · "Parceria" brasileira
- PDB · Progressive DB
- IPD · Alliance · multipartes
Forma de Contratação
- Menor Preço · ranking puro
- Técnica + Preço · "melhor valor"
- QBS · qualificação, sem preço
- Diálogo Competitivo (Lei 14.133)
- Two-stage Open Book
Estrutura de Preço
- Preço Global · Lump Sum
- Preço Unitário · PU
- Cost + Fee
- PMG · GMP · teto garantido
- Target Cost · pain/gain share
3 dimensões × ~5 opções cada = ~150 combinações teóricas. Brasil usa 3-4 por convenção. A inovação está em escolher a combinação certa para cada projeto.
⚠️ Atenção crítica: responsabilidade pelo projeto
Em DBB e CMR, o Empreendedor permanece responsável pelo projeto. Em obras > R$ 1 bi, isso é risco bilionário escondido: sondagem insuficiente, projeto executivo incompleto, interferências não mapeadas viram aditivos. Em DB/EPC, o risco é do construtor — mas o BDI explode.
3.2 Espectro da colaboração
| Mais adversarial → | Intermediário → | Mais relacional |
|---|---|---|
| DBB · Lump Sum | DB · EPC · CMR | PDB · IPD · Alliance |
| Risco transferido | Risco parcialmente compartilhado | Risco totalmente compartilhado |
3.3 As Estruturas de Preço e a alocação de risco que criam
| Estrutura | Quantidade | Produtividade | Insumos | Transparência |
|---|---|---|---|---|
| Lump Sum | Construtor | Construtor | Construtor | Baixa |
| Preço Unitário | Empreendedor | Construtor | Construtor | Média |
| Cost + Fee | Empreendedor | Empreendedor | Empreendedor | Total |
| PMG · GMP | E até teto, C acima | Compartilhado | Compartilhado | Alta |
| Target Cost | Banda | Compartilhado | Compartilhado | Total |
E = Empreendedor · C = Construtor · EC = Compartilhado
3.4 ⭐ O Modelo Brasileiro Equilibrado · PU no leilão → PG + PU residual
De todos os arranjos testados no Brasil em construção pesada, um se destaca como o mais equilibrado e de maior taxa de sucesso comprovada:
↓
T0 → T+18m · PRÉ-CONSTRUÇÃO em PU — paga o que mede · investidor permanece dono do projeto
↓
T+18m · MARCO de Globalização
↓
T+18m → T+54m · EXECUÇÃO HÍBRIDA
• PG fechado para escopo previsível
• PU residual para itens incertos
| Pilar | Como o modelo atende |
|---|---|
| Investidor | Engajado durante a pré (PU força olhar) · previsibilidade no PG quando projeto está pronto |
| Construtor | Não assume risco de quantidade sobre projeto imaturo · ganha previsibilidade no PG |
| Itens incertos | Ficam em PU residual · não viram disputa |
| Cronograma | Obra inicia em paralelo à pré (velocidade PPP) |
| Reequilíbrio | Reduzido drasticamente · itens incertos já tratados em PU |
Itens tipicamente em PU residual
Terraplenagem (solo real ≠ sondagem) · contenções e taludes · drenagem profunda (interferências) · fundações de OAE (sondagem firme só com obra) · restaurações de pavimento (estado real só na execução) · demolições e reaproveitamento (passivos pré-existentes) · tratamentos especiais de solo.
3.5 ⭐ Caso Rodoanel SP · a demonstração brasileira
O Rodoanel Mário Covas (PPP ARTESP / Governo SP) é a prova prática brasileira do modelo equilibrado. Combina CMR + Diálogo Competitivo + PMG → PU → PG sequenciais + Engenharia Independente.
⚠️ Não é obra pública — é PPP de concessão privada
A concessionária privada assume o risco de terminar a obra, remunera-se via tarifa de pedágio, e a ARTESP regula via Matriz de Risco contratual com gatilhos de reequilíbrio. O investidor privado tem skin in the game desde o leilão da concessão.
A modelagem nas 3 dimensões
| Dimensão | Escolha | Função |
|---|---|---|
| Estrutura PPP | Concessão · ARTESP regula · Governo SP concedente | Veículo institucional |
| D1 · Sistema | CMR · construtor entra cedo | Envolvimento construtivo precoce |
| D2 · Forma | Diálogo Competitivo + qualificação | Negociação iterativa |
| D3 · Preço | PMG → PU → PG sequenciais | Evolui conforme projeto amadurece |
| Governança | Engenharia Independente da ARTESP | Valida transições e quantidades |
Cronograma · Gantt da velocidade PPP
A tese demonstrada
O Rodoanel = CMR (Sistema) + Diálogo (Forma) + PMG→PU→PG (Preço) + PU residual em itens incertos. Nenhuma peça é nova. A inovação está na combinação. O Brasil já está fazendo — falta padronizar e estender.
3.6 ⭐ Modelos Praticados HOJE em Concessões Rodoviárias BR
Para enxergar com clareza onde o setor está, vale mapear o que está sendo efetivamente praticado na vinculação Concessionária–Construtora em PPPs rodoviárias brasileiras hoje. A diversidade é alta, mas há um padrão dominante e padrões alternativos emergentes.56
Edital
Leilão
Contrato
Pré-constr.
Obras CAPEX
A · A dinâmica padrão · etapa de licitação PPP
Em PPPs rodoviárias brasileiras hoje, a etapa de licitação tem características recorrentes que definem o ponto de partida dos modelos contratuais:5
- Poder Concedente fornece: edital com CAPEX em nível conceitual, sem estudos básicos completos (geotecnia, hidrologia, ambiental). Riscos de desapropriação e interferências compartilhados.
- Licitante (futuro concessionário) estima cedo o CAPEX com as informações limitadas disponíveis · ~90 dias entre publicação do edital e proposta vinculada.
- Após assinatura do contrato de concessão: período inicial de recuperação de ~3 anos antes das obrigações de CAPEX começarem · janela usada como pré-construção para desenvolver projeto.
- Pré-construção dura ~18 meses: nesse prazo desenvolve-se o projeto e contrata-se a obra com preço fixo ou PMG.
B · Modelos contratuais sendo praticados (vinculação Concessionária–Construtora)
Quatro tipologias contratuais convivem hoje em PPPs rodoviárias BR. Cada uma transfere riscos em momento diferente do ciclo, com consequências práticas distintas:57
| Tipologia | Momento da Transferência de Risco | Quem assume o quê | Onde se aplica hoje |
|---|---|---|---|
|
EPC (Lump-sum)
Preço global fechado
PG
|
No início da obra · contratado após pré-construção, projeto ~70% pronto | Construtora assume: preços, quantidades, solos, prazos · Concessionária mantém: ambiental, desapropriações | Concessões com escopo bem definido · trechos rodoviários simples · maioria das obras leves de duplicação |
|
Preço Unitário (PU)
Por planilha de quantitativos
PU
|
Híbrido · transferência gradual conforme medições | Construtora: preços unitários · Concessionária: quantidades reais executadas e perfil geológico | Concessões com geotecnia incerta · trechos com OAEs · escopo de difícil quantificação prévia |
|
CMaR / CM-at-Risk
Construction Manager at Risk
CMRECI
|
Bem antes da obra · construtora envolvida desde pré-construção | Construtora: preços unitários e/ou quantidades via PMG · Concessionária mantém quantidades caso PU residual · "envolvimento precoce" | Concessões complexas · grandes OAEs · túneis · trechos com fundações críticas · Caso Rodoanel |
|
Design-Build (DB)
Projeto e construção integrados
PG
|
Imediatamente · transferência ampla logo após assinatura · permite fast-track | Construtora assume tudo (preços + quantidades + projeto + prazos) · Concessionária só ambiental + desapropriação | Concessões padronizadas · trechos rurais · obras de duplicação com geotecnia conhecida |
C · Dois exemplos · um nominal, um genérico
Para ilustrar como esses modelos operam na prática, dois casos:
| Caso | Modelo aplicado | Características-chave |
|---|---|---|
|
Exemplo 1 · Rodoanel SP
Concessão pública (Governo SP / ARTESP)
|
CMRPMGPUPGECIEI
Diálogo Competitivo + sequência PMG → PU → PG + Engenharia Independente como árbitro
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Sistema: CMR (envolvimento precoce da construtora desde pré-construção) Preço sequencial: PMG no início → PU para itens incertos → PG após projeto detalhado Governança: EI atua como árbitro técnico independente · open book em itens críticos Resultado: reequilíbrios drasticamente reduzidos · obra avança com clareza de alocação |
|
Exemplo 2 · Concessão Genérica (caso típico)
PPP rodoviária com modelo dominante hoje
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CMRPMGPG
CMR + PMG → migração para PG após pré-construção (EPC < PMG)
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Licitação: 90 dias com CAPEX em nível conceitual Pré-construção: ~18 meses para desenvolver projeto e fechar PMG Transição: assinatura do contrato de construção apenas se EPC final ≤ PMG (senão, vai para licitação por menor preço) Riscos: quantidades, geotecnia, prazo → construtora · ambiental, desapropriações → concessionária Fragilidade: sem PU residual, "surpresas" durante obra geram aditivos/claims · projetista permanece no caminho crítico |
D · O ciclo "alocação de riscos vs incertezas" do CAPEX
O ponto crítico da prática atual: durante a pré-construção, o risco de "CAPEX adotado < EPC efetivo da construtora" não muda substancialmente. A diferença entre orçamento oficial, CAPEX adotado na licitação e EPC final continua sendo absorvida pela concessionária, não pelo concedente.5
- PPPs sem projeto de CAPEX maduro — leilão com 20% de projeto força risco para a concessionária
- Alocação de riscos contratuais desbalanceada — construtora recebe risco que não controla (quantidades, geologia, prazo)
- Demanda × Capacidade do mercado — falta de equipamentos críticos, mão de obra e projetistas no caminho crítico
- Quantitativos contratuais frágeis — sem PU residual ou ECI formal, sobram aditivos e reequilíbrios
E · Alternativas em discussão para o de-risking do projeto
O debate atual no setor brasileiro converge em quatro direções para reduzir esses riscos sistêmicos:57
- Maior nível de projeto no momento da licitação PPP — projeto básico mínimo (35-50%) em vez de conceitual (20%)
- Otimização da estrutura contratual Concessionária-Construtora — usar PG/PU/PMG combinados em vez de modelo único
- Envolvimento da Construtora desde a Licitação — ECI formal, garantindo competência técnica precoce
- Estruturas de alinhamento — benefício fixo da construtora em caso de incremento de custos diretos · variação aberta ao desenvolvimento do projeto · mecanismos de vínculos estratégicos de confiança
Adotar o modelo brasileiro equilibrado PU no leilão → PG + PU residual após detalhamento em concessões de construção pesada. Distribui o risco onde ele realmente está, reduz drasticamente reequilíbrios, e mantém alinhamento de incentivos durante todo o ciclo. Não exige reforma legal — opera no quadro atual.
- Apresentação AP de 03/12/2025 · "Ótica do Construtor" · Manta Associados. 3 dimensões + PMG + SICRO + boa fé.
- Apresentação AP4 de 16/10/2025 · "Alocação de Riscos em Contratos Privados — versão completa" · Manta + Aroeira Salles.
- Apresentação AP6 de 01/12/2025 · "Ótica do Empreendedor" · Manta + Aroeira Salles. RDC + ECI + Matriz de Risco.
- Caso Rodoanel SP · concessão Governo de SP / ARTESP. PPP com CMR + PMG → PU → PG sequenciais + Engenharia Independente.
- Apresentação ABDIB_GT_07maio2026_v10.html · "Estruturas de Preço e Alocação de Risco — Tendências globais + Caso Rodoanel" · Manta + Aroeira Salles, 07/05/2026.
- Lei 14.133/2021 · Lei Federal de Licitações e Contratos Administrativos · regimes do Art. 46.
- Lei 12.462/2011 · Regime Diferenciado de Contratações (RDC).
Tendências Globais e o Quadro Legal Brasileiro
4.1 Tendências Globais 2024-2026 · síntese
Os últimos 24 meses concentraram mais inovação contratual do que as duas décadas anteriores. Driver macro: corrida dos data centers de IA + choques de tarifas + cadeia logística.
| Tendência · País | Característica | Status |
|---|---|---|
| Progressive DB · EUA | DB com QBS + PMG em milestones (30-60-90%) + off-ramp | Padrão no setor de água · FHWA endossou 2025 |
| JCT Target Cost · UK | Primeira versão oficial JCT Target Cost | Lançado jun/2025 |
| Alliance · AUS / NZ | Multipartes em contrato único · 100% TOC | 324 alianças · US$ 60 bi · economia 3,5% custo · 7% prazo |
| IPD · EUA | Owner + projetista + construtor em contrato único | Sutter Health pioneiro · expandindo para infraestrutura |
| FIDIC Collaborative · global | Primeira versão de contrato colaborativo FIDIC | Lançado dez/2024 |
| NEC4 · global | 6 opções de pricing (A-F) · adotado HK · Peru · África Sul · Singapura | Singapura adotou abr/2024 |
4.2 O Quadro Legal Brasileiro · liberdade contratual ampla
Mercado Privado
Em contratos privados, não há barreira legal para target cost, alliance, IPD, ECI formal, milestones de pricing, open book auditado. Limitações são culturais e de padronização, não jurídicas.
Mercado Público · Lei 14.133/2021 · regimes do Art. 46
| Regime | O que possibilita | Uso atual |
|---|---|---|
| Empreitada por preço unitário | DBB tradicional | Amplamente usado |
| Empreitada por preço global | Lump sum público | Comum |
| Empreitada integral (turnkey) | Equivalente a EPC | Limitado |
| Contratação integrada | DB · projeto + obra com responsabilidade única | Crescendo |
| Contratação semi-integrada | Anteprojeto + DB · compatível com lógica PDB | Subexplorada |
| Diálogo competitivo | Negociação iterativa · abre milestones de pricing | Subexplorado |
Lei 12.462/2011 · RDC
Anterior à Lei 14.133, o RDC já admitia regimes integrado e semi-integrado. Continua aplicável a contratações específicas.
4.3 O que dá pra fazer hoje no Brasil sem reforma legal
Operável dentro do quadro atual
- Target cost com pain/gain share via DB integrado
- ECI formal pré-licitação via diálogo competitivo
- Open book auditado por ICE
- Cláusulas de escalação automática (top-5 insumos)
- Milestones de pricing (lógica PDB) via semi-integrado
- Modelo equilibrado PU→PG+PU residual ⭐
Ainda exige adaptação institucional
- Alliance multipartes em obra pública
- IPD puro com "no fault — no blame" em obra pública
- Pool de remuneração em risco multipartes
- Compartilhamento de margem operacional de longo prazo
- Bain & Company · "U.S. Power Demand Outlook" · outubro/2025.
- Deloitte Insights · "2026 Engineering & Construction Industry Outlook".
- POWER Magazine · "The EPC Partnership Paradigm" · novembro/2025.
- Ernst & Young LLP (EY) · "Collaborative contracting can help infrastructure projects" · março/2025.
- DOT South Dakota · "Progressive Design-Build One Pager" · fev/2025 · FHWA federal guidance.
- AGC (Associated General Contractors of America) · Material Cost Reports 2025.
- JCT · "Target Cost Contract" · UK, jun/2025.
- Colliers Project Leaders · "Alliance Contracts" · jun/2025.
- NEC4 · adoção Singapura (Nishimura & Asahi, out/2024) · HK · Peru · África do Sul.
- BCLP/Practical Law · "FIDIC International Contract Users' Conference 2024".
- Hill Dickinson · "Understanding NEC, JCT and FIDIC" · jun/2025.
- Norton Rose Fulbright · "Infrastructure delivery methods: Emerging variants".
- Lei 14.133/2021 · Lei Federal de Licitações e Contratos Administrativos.
- Lei 12.462/2011 · Regime Diferenciado de Contratações (RDC).
A alocação que decorre do modelo
Matriz, Alocação e Tempos dos Riscos
Regra: aloca o risco a quem melhor pode gerenciar. Q2 (incerto + alto impacto) é onde mais se erra hoje no Brasil — transfere-se à construtora sem compensação adequada.
5.1 As 8 categorias de risco em construção pesada
| Categoria | Descrição | Magnitude típica |
|---|---|---|
| Projeto | Erros, omissões, subdimensionamento. Quem responde absorve. | Crítico · centenas de milhões em obras > R$ 1 bi |
| Quantidade | Diferença entre licitado e medido. Geotecnia, projeto incompleto. | Alto · ±30-50% em itens |
| Geotecnia · Interferências | Surpresas no subsolo, redes não mapeadas. | Alto |
| Produtividade | Capacidade do construtor vs hipóteses do BDI. | Médio |
| Insumos · preço/disponibilidade | Aço, cimento, asfalto, equipamentos. | Alto · choques 25-30% em 2025 |
| Prazo | Atraso por gestão ou externos (licença, desapropriação). | Médio a alto |
| Ambiental · Desapropriações | Tipicamente do Empreendedor. Pode bloquear obra. | Alto |
| Macroeconômico | Câmbio, juros, política. Em prazos longos virou risco-chave. | Médio · tendência de alta |
5.2 ⭐ Matriz cruzada · Modelo × Risco × Parte responsável
Esta tabela é a demonstração compacta da tese do Cap 2: a escolha do modelo determina quase mecanicamente a alocação dos riscos.
| Risco | DBB · PU | DBB · Global | DB · EPC | CMR · PMG | PDB · Target |
|---|---|---|---|---|---|
| Projeto | E | E | C | E | C |
| Quantidade | E | C | C | E→teto, C> | EC |
| Produtividade | C | C | C | EC | EC |
| Insumos | C | C | C | EC | EC |
| Ambiental · Desap. | E | E | E | E | E |
| Macro | C (BDI) | C (BDI) | C (BDI) | EC (fórmula) | EC (banda) |
E = Empreendedor · C = Construtor · EC = Compartilhado
5.3 Tempos · quando cada risco se materializa · Privado vs Público
Riscos não apenas são alocados diferentemente. Eles também se materializam em momentos diferentes do ciclo.
| Fase | Obra Pública | Obra Privada · PPP |
|---|---|---|
| Antes do leilão | Projeto executivo pronto · risco mapeado | Anteprojeto (20%) · riscos hipotéticos |
| No leilão | Disputa por PU com quantitativos firmes | Disputa por outorga/tarifa · risco diferido |
| Pós-leilão imediato | Construtor executa o licitado | Projeto detalhado vira caminho crítico |
| Pré-construção | Curta ou inexistente | 12-18 meses · projeto em paralelo |
| Execução | Riscos no contrato pré-fixado | Riscos contra PMG em movimento |
| Quando o risco aparece | ~80% antes do leilão | ~60% só após o leilão |
5.4 ⭐ A expectativa de preço do Construtor no leilão privado
Dinâmica exclusiva do mundo privado: no leilão da concessão, o Construtor tem apenas uma expectativa de preço, não um preço firme. Essa expectativa sustenta o lance do Investidor (TIR, tarifa, plano de negócios).
É confirmada (ou não) somente no final do detalhamento — 12-18 meses após o leilão.
Projeto detalhado valida estimativa
- Quantidades batem com hipóteses
- Insumos dentro do esperado
- Geotecnia não surpreende
- Contrato segue · Plano EF preservado
Detalhamento mostra preço superior
- Quantidades crescem 20-50%
- Insumos cotam acima
- Geotecnia surpresa exige reforço
- Construtor "fura o teto" · vira claim ou reequilíbrio
ECI e o Tratamento do Lucro
6.1 ECI · Early Contractor Involvement
Prática de envolver o Construtor cedo no projeto, antes da assinatura do contrato definitivo. Permite que conhecimento construtivo entre no projeto, riscos sejam identificados antes de virarem aditivos.
ECI no CMR brasileiro: já existe na prática — falta formalização (milestones definidos, off-ramp contratual claro). É a porta de entrada brasileira para PDB sem reforma legal.
6.2 ⭐ O Tratamento do Lucro · onde estão os piores incentivos
Dentro de um PMG, a forma como o lucro do Construtor é contratado muda completamente os incentivos. Escolha subestimada e impactante.
| Alternativa | Mecânica | Quando custo direto sobe... | Incentivo |
|---|---|---|---|
| Alt 1 · % do Custo prática BR tradicional | Lucro = 10% × CD Real | Lucro sobe junto | Perverso |
| Alt 2 · Absoluto Fixo open book mundial | Lucro = R$ 200 mi travado | Lucro constante | Saudável |
Simulação rápida · CAPEX R$ 2 bi / Lucro nominal R$ 200 mi
| Cenário (R$ mi) | A · Economia CD=1.350 | B · Envelope CD=1.700 | C · Fura CD=1.900 | D · ≈PMG CD=1.580 |
|---|---|---|---|---|
| Alt 1 · % do custo | 135 | 170 ↑ | −100 | 158 |
| Alt 2 · absoluto fixo | 200 | 200 | −100 | 200 |
6.4 ⭐ Seguros como instrumento de gestão de risco
Seguros em construção pesada não devem ser tratados como mera obrigação contratual ou caixinha burocrática. Eles são ferramenta estratégica de alocação de risco: cobrem aquilo que sobra depois da matriz contratual ter feito o seu trabalho. Bem usados, são complemento — nunca substituto — da boa alocação contratual.32
Os 6 tipos principais aplicáveis em obras pesadas
🏗️ RC Obras / CAR
🛡️ Performance Bond
💰 Advance Payment Bond
⏰ ALOP / DSU
📐 RC Profissional · E&O
📜 Seguro Garantia
Boas práticas no uso de seguros em construção pesada
- Mapear a matriz de risco ANTES de definir a apólice. Seguros devem cobrir os riscos identificados na matriz, não pacotes pré-definidos da seguradora. A apólice é função da alocação, não o contrário.
- Definir o tomador correto. Quem suporta o risco contratualmente deve contratar o seguro — ou ser beneficiário direto, com cláusula expressa de cobrança.
- Especificar limites e franquias por categoria. Limites baixos = seguro inútil em sinistros relevantes. Franquias altas = risco residual significativo. Ambos precisam ser calibrados ao porte do projeto.
- Atenção crítica às exclusões. Geotecnia, ambiental e força maior são frequentemente excluídos — quando o GT brasileiro mais precisa deles cobertos. Verificar e tratar contratualmente o que a apólice deixa de fora.
- Integrar seguros com a gestão de mudanças. Aditivos contratuais podem invalidar coberturas se não houver atualização da apólice. Toda mudança relevante de escopo, prazo ou valor deve ter trilha de atualização da apólice.
Capacidade do mercado segurador brasileiro
O mercado segurador brasileiro tem capacidade limitada para grandes obras de construção pesada. Projetos acima de R$ 1 bilhão frequentemente exigem resseguro internacional, em que resseguradoras estrangeiras (Munich Re, Swiss Re, AXA XL, Lloyd's) impõem condições próprias sobre matriz de risco e modelos contratuais.32
Esse fato tem uma consequência importante para o GT: quanto mais alinhado ao padrão internacional (FIDIC, NEC4) for o modelo brasileiro, mais barata e abrangente será a cobertura disponível. É outra razão estrutural para o Brasil consolidar boas práticas alinhadas às suítes contratuais globais — não por modismo, mas por custo de capital.
Seguro é o que cobre o que sobra da alocação contratual — não o que substitui a alocação contratual.
O desenho contratual (Sistema × Forma × Preço × Matriz de Risco) deve ser decidido antes da estrutura de seguros. A apólice calibra os riscos residuais: aqueles que não podem ser eliminados ou alocados a alguém específico, e que portanto fazem sentido transferir ao mercado segurador. Tratar seguro como primeira linha de defesa é caro, ineficaz e perigoso.
6.5 ⭐ A regra de ouro da contingência · medição obrigatória sem lucro
Toda contingência contratual (reserva técnica, eventos compensatórios, variações para mais em PMG, itens de reequilíbrio) deve obedecer a uma regra estrutural que o GT propõe como recomendação central. Esta regra define o tratamento brasileiro adequado da contingência em qualquer modelo contratual com PMG, target cost, GMP ou variação para mais.
Por que essa regra é crítica
- Elimina incentivo perverso de inflar contingências. Sem lucro sobre a variação, a Construtora não tem motivo para sub-orçamentar na proposta original e depois "descobrir" extras durante a obra. O incentivo fica neutro.
- Mantém a margem comercial protegida. A Construtora não perde nada — seu lucro contratado (do escopo base) continua intacto. Apenas não ganha mais com variações para cima.
- Cria transparência open book. Como a contingência é medida a custos unitários definidos contratualmente (SICRO ou tabela), não há disputa sobre o "valor justo" do extra. Mede-se, multiplica, paga.
- Habilita Engenharia Independente (EI) como árbitro técnico. A EI valida quantidades e a tabela valida preços. Reduz drasticamente disputas e claims.
- Alinha incentivos das partes. Concessionária paga o custo real do extra (sem ser penalizada por margem inflada). Construtora executa o extra (sem ganhar com isso, mas sem perder). Conflito eliminado.
Como aplicar contratualmente
- Cláusula expressa: "variações para mais serão remuneradas a custos unitários da Tabela X (SICRO/SBC/contratual) sem aplicação de BDI"
- Tabela de custos unitários contratada na assinatura, não negociada depois
- Medição em campo conjunta · Concessionária + Construtora + EI
- Pagamento mensal seguindo o boletim de medição validado pela EI
- Reequilíbrio EF disparado apenas se contingência exceder buffer pré-acordado (típico: 5-10% do CAPEX original)
Toda concessão de construção pesada no Brasil deveria adotar contratualmente que variações para mais (contingências, eventos compensatórios, reequilíbrios técnicos) são pagas a custos unitários sem BDI/lucro. Esta regra simples elimina 80% dos pontos de conflito típicos entre Concessionária e Construtora, sem prejudicar o lucro contratado de nenhum lado. É um dos pilares do tratamento moderno do lucro como incentivo.
- Apresentação AP de 03/12/2025 · "Ótica do Construtor" · Manta Associados.
- Apresentação AP4 de 16/10/2025 · "Alocação de Riscos em Contratos Privados" · Manta + Aroeira Salles.
- EY · Collaborative contracting can help infrastructure projects · março/2025 · sobre incentivos colaborativos e tratamento do lucro.
- JCT · Target Cost Contract · UK, jun/2025 · mecânica de pain/gain share.
- Colliers Project Leaders · Alliance Contracts · jun/2025 · pool de remuneração em risco.
- NEC4 · Option C · Target Contract with activity schedule · variação cost-based, pain/gain.
- Lei 14.133/2021 · regime de aditivos contratuais e equilíbrio econômico-financeiro.
- Apresentação AP6 do GT · "Seguros em Construção Pesada" · Manta + Aroeira Salles, 06/abril/2026. Origem da subseção 6.4 sobre seguros.
A gestão que decorre do modelo
Atores, Governança e Boa-Fé Operativa
7.1 Os 6 atores principais
| Ator | Função primária | Variação por modelo |
|---|---|---|
| Empreendedor (owner / concessionário) | Define escopo · financia · suporta riscos não transferidos | Em DB/EPC delega quase tudo · em DBB/CMR mantém projeto |
| Construtor | Executa a obra física | Em EPC responde também por projeto · em CMR só executa |
| Projetista | Elabora o projeto | Independente em DBB/CMR · integrado em DB/EPC |
| Regulador (ARTESP, ANTT, ANEEL, ANTAQ) | Define matriz de risco · gatilhos de reequilíbrio | Central em concessões |
| Segurador | Performance bond · advance payment · all-risks | Garante teto em PMG · execução em lump sum |
| Financiador (BNDES, multilaterais, debêntures) | Financia CAPEX · exige covenants | Ator central de governança via covenants |
7.2 Engenharia Independente · um dos instrumentos de transparência
Em contratos brasileiros de concessão (notadamente ARTESP), utiliza-se a figura da Engenharia Independente (EI) contratada para validar tecnicamente decisões críticas: auditar quantidades, validar projetos, conferir cálculos de PG, atestar marcos.
Paralelos internacionais: ICE (NEC4) · ICA (FIDIC). Função: institucionalizar transparência técnica entre as partes em momentos críticos. É um dos instrumentos disponíveis — útil em contratos > R$ 500 mi. Não é regra fixa.
7.3 Boa-fé como cláusula operativa
A boa-fé deixou de ser princípio doutrinário e virou cláusula prática nos contratos colaborativos modernos:
- NEC4 · Article 3 — collaborative working obligation com efeito interpretativo
- JCT 2024 — incluiu cláusula similar mesmo em modelos lump sum
- FIDIC Collaborative — princípio de Collaborative Management Team
- Brasil — Código Civil Art. 422 consagra boa-fé objetiva · falta operacionalizar dentro do contrato
Cláusulas operativas recomendadas
- Obrigação expressa de notificação tempestiva (prazo de 7-14 dias)
- Obrigação de mitigação por todas as partes
- Troca de informações documentada
- Reuniões obrigatórias de governança em períodos críticos
- Mecanismo de escalação de disputas antes da arbitragem
Gestão de Mudanças e Pleitos em Grandes Projetos
8.1 Por que mudança é normal em grandes projetos
Em obras de 4-6 anos com CAPEX bilionário, é estatisticamente garantido que mudanças ocorrerão. Fontes previsíveis: geotecnia surpresa · escopo que evolui · regulação que muda · mercado que altera · interferências descobertas · otimizações construtivas · eventos externos.
A pergunta operacional não é se haverá mudança — é como o contrato a recebe.
8.2 Mudança gerida × Mudança disputada
Vira change order formal
- Notificação tempestiva por procedimento
- Análise técnica documentada
- Cálculo de impacto custo/prazo
- Comitê de mudanças aprova
- Atualização contratual formal
- Sem litígio · sem desgaste
Vira claim ou pleito
- Notificação tardia ou ausente
- Disputa sobre fato gerador
- Disputa sobre quantificação
- Acúmulo até a entrega
- Arbitragem ou judicialização
- Custo de transação alto
A diferença raramente está na natureza do evento — está em existir ou não procedimento formal de gestão de mudanças.
8.3 Magnitude da mudança × Instrumento adequado
< 1% CAPEX
1-5% CAPEX
5-15% CAPEX
> 15% ou EF
8.4 Mecanismos internacionais consagrados
- FIDIC · Variation Orders (Cláusula 13) · Engineer formaliza, construtor precifica, owner aprova
- NEC4 · Compensation Events (Cláusula 60) · 21 eventos pré-tipificados · prazos rígidos
- AIA / EJCDC · Change Orders · directive, proposal, constructive
- JCT · Variation Clauses · ajustes via instruction do CA
8.5 Protocolo recomendado · contratos > R$ 500 mi
- Cláusula de mudanças explícita · definição e fontes
- Procedimento de notificação · 7-14 dias com penalidade por atraso
- Comitê de Mudanças · reuniões mensais ou sob demanda
- Cálculo de impacto padronizado · fórmulas pré-acordadas (CD + BDI travado + lucro absoluto)
- Limites de alçada · quem aprova até que valor
- Documentação contínua · não acumulada
- Auditoria por EI quando existir
- Escalação · mediação prévia antes de arbitragem
8.6 Pleitos · Mediação · Arbitragem · Reequilíbrio
Pleito legítimo é aquele em que o construtor identifica evento que altera materialmente as premissas (geotecnia surpresa, mudança de projeto pelo owner, atraso imputável ao outro lado). Não é toda diferença de medição.
Boas práticas modernas preveem:
- Mediação contratual obrigatória antes da arbitragem (DAB - Dispute Adjudication Board)
- Arbitragem como instância final · confidencial, mais rápida, especializada
- Reequilíbrio EF em concessões · mecanismo regulatório distinto da disputa contratual
- Matriz de gatilhos e procedimentos explícita no contrato
- NEC4 · Compensation Events (Cláusula 60) · 21 eventos pré-tipificados · prazos rígidos de notificação.
- FIDIC · Variation Orders (Cláusula 13) · Engineer formaliza variação · construtor precifica · owner aprova ou contesta.
- AIA / EJCDC · Change Orders · prática americana · três tipos: directive (do owner), proposal (do construtor), constructive (descoberto na execução).
- Cadernos Técnicos IBDiC · Série Administração de Contratos · 2023. Boas práticas de gestão contratual no Brasil.
- Lei 14.133/2021 · regime de aditivos contratuais e equilíbrio econômico-financeiro.
Estudo de caso simulado
Concessão Rodoviária R$ 2 bi · CMR + PMG
9.1 Premissas
| CAPEX-base | R$ 2.000 mi |
| Contingência | R$ 100 mi |
| PMG total | R$ 2.100 mi |
| Custo Direto (CD) | R$ 1.500 mi (75%) |
| BDI + ADM Local | R$ 500 mi (25%) |
| Lucro contratado | R$ 200 mi (10% sobre CD) |
| Sistema | CMR · Pré 18m · Execução 36m |
9.2 Os 4 cenários na globalização
| Cenário | Faixa do PG | Situação | Tratamento |
|---|---|---|---|
| A · Economia limpa | PG < 2,0 bi | Abaixo do preço-base | Devolução do saldo · gain share |
| B · Dentro envelope | 2,0 < PG < 2,1 | Estourou base, cabe na contingência | Aciona contingência por gatilho |
| C · Fura o teto | PG > 2,1 bi | Excede o PMG | Construtor absorve · pain share |
| D · ≈ PMG | PG ≈ 2,1 bi | Meio do caminho | Discussão sobre uso da contingência |
9.3 Simulação · 4 cenários × 2 alternativas de lucro
| Item (R$ mi) | A · CD=1.350 | B · CD=1.700 | C · CD=1.900 | D · CD=1.580 | ||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| % | fixo | % | fixo | % | fixo | % | fixo | |
| Custo Direto | 1.350 | 1.350 | 1.700 | 1.700 | 1.900 | 1.900 | 1.580 | 1.580 |
| Indireto + ADM | 300 | 300 | 300 | 300 | 300 | 300 | 300 | 300 |
| Lucro | 135 | 200 | 170 | 200 | 190 | 200 | 158 | 200 |
| PG calculado | 1.785 | 1.850 | 2.170 | 2.200 | 2.390 | 2.400 | 2.038 | 2.080 |
| Margem construtor | 135 | 200 | 170 ↑ | 200 | −100 | −100 | 158 | 200 |
9.4 Duas trajetórias durante a pré-construção
Dentro do mesmo envelope de R$ 2,1 bi, há duas formas radicalmente diferentes de operar a pré-construção:
PU sustentado até globalizar
- Risco de quantidade fica com o investidor na pré
- Investidor permanece dono do projeto
- Cobra otimização e value engineering
- Globalização final é justa e auditável
Globalização precoce do PMG
- Risco passa ao construtor no dia 1
- Investidor desengaja
- Sem cobrança · sem value engineering
- Resultado: orfandade técnica ou claims
Recomendações e Conclusão
12 Recomendações de Melhores Práticas
Tratar a escolha do modelo contratual como decisão estratégica
Não como decisão administrativa. O modelo define a alocação de risco — é decisão de governança, não de departamento jurídico.
Atenção crítica à responsabilidade de projeto em DBB e CMR
Em projetos > R$ 1 bi, garantir maturidade adequada do projeto antes da licitação ou contratar projetista independente com responsabilidade técnica clara.
Lucro absoluto fixo como padrão em PMG
Substituir lucro como % do custo por lucro absoluto fixo. Elimina o incentivo perverso à inflação de quantidades. Mudança trivial tecnicamente, transformadora em incentivos.
PU sustentado até a globalização do PG
Em CMR + PMG, sustentar pagamento por preço unitário durante toda a pré-construção, globalizando para PG apenas quando o projeto definitivo estiver pronto. Mantém o investidor engajado.
Engenharia Independente como boa prática em contratos > R$ 500 mi
Em contratos de grande porte e estruturas de preço evolutivas, considerar EI para validar transições, atestar quantidades e funcionar como árbitro técnico. Ponderar caso a caso.
ECI formal pré-licitação em concessões complexas
Formalizar o Envolvimento Prévio do Construtor com milestones definidos, off-ramp contratual e governança documentada. Porta de entrada brasileira para PDB sem reforma legal.
Cláusulas de escalação automática para top-5 insumos críticos
Em prazos > 24 meses, definir fórmula automática de escalação para aço, cimento, asfalto, combustível e equipamentos específicos. Evita que choques macro virem aditivos disputados.
Open book auditado em contratos com PMG ou Target Cost
Sem transparência de custos, o PMG e o Target Cost perdem sentido. Open book com auditoria por ICE/EI é precondição operacional.
Milestones de pricing (lógica PDB) em projetos com alta incerteza
Em vez de PMG único na licitação, construir o PMG em 2-3 milestones conforme o projeto amadurece. Permite refinamento sem renegociação.
Boa-fé como cláusula operativa, não doutrinária
Incluir obrigações concretas: notificação tempestiva, mitigação mútua, governança colaborativa, escalação de disputas antes da arbitragem. Boa-fé que opera, não que decora.
Implantar gestão formal de mudanças em contratos > R$ 500 mi
Mudança é parte natural do processo em construção pesada. Incluir cláusula de change management, comitê de mudanças, prazos de notificação, templates de impacto e auditoria por EI. Benchmarks internacionais mostram redução de 60-80% nos claims com protocolo formal.
⭐ Adotar o modelo brasileiro equilibrado · PU no leilão → PG + PU residual
Recomendação central do GT. Licitar em Preço Unitário sobre quantitativos preliminares · sustentar PU durante toda a pré-construção · globalizar a maior parte para PG quando o projeto estiver pronto · manter em PU residual os itens de maior incerteza (terraplenagem, contenções, drenagem profunda, fundações de OAE, restaurações). Demonstrado no Caso Rodoanel (Cap 3). Distribui o risco onde ele realmente está e reduz drasticamente reequilíbrios.
Conclusão e Próximos Passos
A escolha do modelo contratual define, em grande parte, a alocação de risco e a forma de gestão necessária. Inovar contratualmente no Brasil não é inventar — é combinar criativamente as ferramentas que já existem e conhecer e aprofundar a aplicação dos modelos consagrados internacionalmente.
11.1 Três conclusões organizam o trabalho
- Mercado privado: liberdade contratual ampla — a inovação é viável e rápida, sem barreira legal.
- Mercado público: Lei 14.133/2021 e Lei 12.462/2011 já permitem milestones de pricing, ECI formal e open book auditado, tudo sem reforma legal.
- Caso Rodoanel: a prova brasileira de que a tese funciona — PMG evolutivo + PU + PG + PU residual + EI demonstram que o Brasil já está fazendo. Falta padronizar e estender.
11.2 Linha do tempo · próximos passos
11.3 Mensagem final
O Brasil tem uma janela de R$ 757,3 bilhões nos próximos 5 anos. Esse volume só será capturado com modelos contratuais que compensem as fragilidades do ecossistema, não que as amplifiquem. A boa notícia é que todas as ferramentas necessárias já existem — no quadro legal brasileiro, na prática internacional, e no próprio Brasil. O que falta é combinar, padronizar, aprofundar e consolidar.
Este Manual é a contribuição do GT ABDIB nessa direção. Cabe agora ao setor — concessionárias, construtoras, projetistas, financiadores, seguradoras, reguladores e poder concedente — usar as ferramentas que estão à mão.
MAURÍCIO NEVES · MANTA ASSOCIADOS
+
MARIANA MIRAGLIA · AROEIRA SALLES ADVOGADOS
Coordenadores do GT ABDIB · Mai/2025 → Jun/2026
Material complementar e GED
Cronograma do GT e GED Consolidado
A.1 Linha do tempo do GT · 24 meses
| Mês | Evento | Entregas |
|---|---|---|
| Mai/2025 | Kickoff | Reunião Projeto 1 do Comitê (13/05) · Demanda 1 Matriz (28/05) |
| Set/2025 | AP1, AP2, AP3 | Estruturas Concessionária-Construtora · Tempos e Movimentos · Riscos Privados |
| Out/2025 | AP3, AP4, AP5 | Refinamento · Versão completa · Cronograma consolidado |
| Nov/2025 | AP4-rev | Ótica do Empreendedor |
| Dez/2025 | AP, AP6, IA | Ótica do Construtor · Ótica do Empreendedor · IA na Engenharia |
| Mar-Abr/2026 | Timelines + GT Seguros | Status atualizados · GT paralelo Seguros (3 versões) |
| Mai/2026 | AP atual | Tendências globais · Caso Rodoanel · Tese Central |
| Jun/2026 | ENTREGA · este Manual v3 | Manual consolidado |
A.2 GED · 16 apresentações com hyperlink
| # | Data | Arquivo | Tema | Link |
|---|---|---|---|---|
| 01 | 04/09/25 | ABDIB - 04.09.pptx | Estruturas atuais Concessionária-Construtora | ▸ Abrir |
| 02 | 26/09/25 | 20250926 ABDIB Contratos.pptx | Tempos e Movimentos · PPP rodoviária | ▸ Abrir |
| 03 | 29/09/25 | 20250929 ABDIB Contratos.pptx | Alocação de Riscos em Contratos Privados | ▸ Abrir |
| 04 | 12/10/25 | ABDIB - 02.10.pptx | Versão refinada Tempos e Movimentos | ▸ Abrir |
| 05 | 16/10/25 | 20251016_ABDIB_AP4.pptx | AP4 versão completa · 3 dimensões + espectro | ▸ Abrir |
| 06 | 23/10/25 | 20251023_ABDIB_AP5.pptx | AP5 · Riscos + Cronograma consolidado | ▸ Abrir |
| 07 | 04/11/25 | 20251104_ABDIB_AP4 Tev1.pptx | AP4 revisada · Ótica do Empreendedor | ▸ Abrir |
| 08 | 01/12/25 | 20251201ABDIB_AP6.pptx | AP6 · Empreendedor · Matriz + RDC + ECI | ▸ Abrir |
| 09 | 03/12/25 | 20251203_ABDIB_AP.pptx (+Rev1) | Ótica do Construtor · 3 dimensões + PMG + SICRO | ▸ Abrir |
| 10 | 12/2025 | 20251201_ABDIB_APR_A_2.pptx | IA na Engenharia · Manta Associados | ▸ Abrir |
| 11 | 03/2026 | ABDIB_Timeline_Grupo_Mar2026.pptx | Timeline do GT · março/2026 | ▸ Abrir |
| 12 | 04/2026 | ABDIB_Timeline_Grupo_Abr2026.pptx | Timeline do GT · abril/2026 | ▸ Abrir |
| 13 | 04/2026 | ABDIB_GT_Seguros_3slides.html | GT Seguros · resumo executivo | ▸ Abrir |
| 14 | 04/2026 | ABDIB_GT_Seguros_15slides.html | GT Seguros · versão completa | ▸ Abrir |
| 15 | 04/2026 | ABDIB_GT_Seguros_4slides.html | GT Seguros · versão executiva | ▸ Abrir |
| 16 | 07/05/26 | ABDIB_GT_07maio2026_v10.html | Estruturas de Preço + Rodoanel + Tese Central | ▸ Entrega |
A.3 Documentos de apoio · 4 documentos
| # | Data | Arquivo | Tema | Link |
|---|---|---|---|---|
| 17 | 13/05/25 | ABDIB.docx + ABDIB.pdf | Agenda · Kickoff do GT | ▸ Abrir |
| 18 | 28/05/25 | Demanda 1 - Matriz Consolidada.docx | Documento inicial · Matriz Consolidada | ▸ Abrir |
| 19 | 2023 | Caderno_Tecnico-Adm_Cont_IBDiC.pdf | Cadernos IBDiC · Administração de Contratos | ▸ Abrir |
| 20 | 11/2025 | Livro-Azul-da-Infraestrutura-2025.pdf | Livro Azul ABDIB 2025 · 469 projetos / R$ 757,3 bi (Livro Azul ABDIB 2025, p.320) | ▸ Abrir |
GT Seguros em Construção Pesada
Principais temas
- Performance Bond · garantia de execução
- Advance Payment Bond · garantia de pagamentos antecipados
- All-Risks · seguro patrimonial e RC de obra
- Seguro Garantia · instrumento brasileiro tradicional
- Cobertura para riscos macro · produtos emergentes
- Mercado segurador brasileiro · capacidade limitada · prêmios subindo
Apresentações iniciais em abril/2026 (versões 3, 4 e 15 slides — GED #13-15). Próxima fase: documento próprio em paralelo a este Manual.
IA na Engenharia · Manta Associados
Aplicações em construção pesada
- Análise automatizada de matrizes de risco contratual
- Identificação de inconsistências em projetos executivos
- Apoio a auditoria de quantidades e medições
- Análise de claims e identificação de padrões em pleitos
- Estruturação de cronogramas e caminho crítico
- Sumarização de documentação técnica volumosa
IA não substitui a escolha do modelo contratual — mas amplifica a capacidade de operar dentro dele. Para EI validando transições, para auditoria contínua de quantidades em PU, para análise documental. Apresentação Dez/2025 (GED #10).
Glossário
Sistemas de Entrega
| DBB | Design-Bid-Build · projetista e construtor separados · modelo tradicional |
| DB | Design-Build · construtor responde por projeto + construção |
| EPC | Engineering, Procurement and Construction · DB com suprimentos |
| CMR | Construction Manager at Risk · "Parceria" brasileira |
| PDB | Progressive Design-Build · PMG em milestones |
| IPD | Integrated Project Delivery · contrato único multipartes |
| Alliance | Multipartes com remuneração 100% TOC · AUS/NZ pioneiro |
Estruturas de Preço
| Lump Sum / PG | Preço fechado · risco de quantidade no construtor |
| PU | Preço Unitário · risco de quantidade no empreendedor |
| Cost + Fee | Reembolso de custo + honorário · risco máximo no empreendedor |
| PMG / GMP | Preço Máximo Garantido · teto com risco compartilhado |
| Target Cost | Custo-alvo com pain/gain share dentro de banda |
| TOC | Target Outturn Cost · custo-alvo final |
Conceitos contratuais
| BDI | Benefício e Despesas Indiretas · forma de precificar risco e indireto |
| ECI | Early Contractor Involvement · envolvimento prévio |
| ICE | Independent Cost Estimator · estimador independente · NEC4/PDB |
| ICA | Independent Certifier · certificador independente · FIDIC |
| EI | Engenharia Independente · prática brasileira |
| Pain/Gain Share | Compartilhamento de economia ou estouro vs target |
| Off-ramp | Cláusula que permite retomada pelo empreendedor em PDB |
| Open Book | Transparência total de custos do construtor |
| SICRO / SINAPI | Sistemas de referência de preços para obras públicas BR |
Regulatórios brasileiros
| PPP | Parceria Público-Privada · contrato com contraprestação pública |
| Concessão | Delegação de serviço público com remuneração via tarifa |
| RDC | Regime Diferenciado de Contratação · Lei 12.462/2011 |
| Lei 14.133/2021 | Lei de Licitações · regimes do Art. 46 |
| ARTESP | Agência de Transporte do Estado de SP · regula concessões rodoviárias |
| Reequilíbrio EF | Reequilíbrio Econômico-Financeiro de concessão |
Bibliografia · Fontes numeradas [1]–[30]
- ABDIB · Livro Azul da Infraestrutura 2025 Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base · Diretoria de Planejamento e Economia · novembro/2025. Equipe Técnica: Roberto F. Guimarães (Diretor) · Frederico Barreto (Coordenador de Economia). Capítulo 12 "Projeção de Investimentos Privados 2026-2030", p. 320-330. Quadro resumo p. 320: 469 projetos / R$ 757,3 bi. Situação em 22/10/2025.
- IBDiC · Cadernos Técnicos · Série Administração de Contratos Instituto Brasileiro de Direito da Construção · 2023. Boas práticas de gestão contratual em obras de engenharia · referência para o capítulo de Gestão de Mudanças.
- CNT · Pesquisa CNT de Rodovias 2024 Confederação Nacional do Transporte. Diagnóstico do Estado Geral das rodovias sob gestão pública (citada no Livro Azul ABDIB 2025).
- Revista O Empreiteiro · Edição 602 (Ano LXIV, Ago/Set 2025) "Ranking da Engenharia Brasileira 2025 · As 190 maiores empresas faturaram R$ 143,81 bilhões em 2024" · M3 Editorial · pesquisa exclusiva · 342 páginas. Diretor Editorial: Joseph Young. Análise do Ranking p. 286-291. Tabelas Construtoras Ranking Nacional p. 287, Top 25 p. 295, Geral p. 301-315. Montagem Industrial p. 316. Projetistas e Gerenciadoras p. 319-325. Serviços Especiais p. 326-330. Crescimento setorial acumulado +147,41% entre 2018-2024. Demanda paralela (O&G, Mineração, Indústria, Data Centers, COP30, RS) detalhada nos capítulos respectivos.
- Apresentação AP6 do GT · "Seguros em Construção Pesada · Uso Efetivo de Seguros" Manta Associados + Aroeira Salles Advogados · reunião de 06/abril/2026. 6 tipologias de seguros aplicáveis à construção pesada (RC Obras/CAR, Performance Bond, Advance Payment Bond, ALOP/DSU, RC Profissional, Seguro Garantia). Boas práticas de uso (mapear matriz antes da apólice, tomador correto, atenção às exclusões geotécnica/ambiental/força maior, integração com gestão de mudanças). Capacidade do mercado segurador brasileiro e necessidade de resseguro internacional para projetos > R$ 1 bi.
- Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021 Lei Federal de Licitações e Contratos Administrativos. Art. 46 regimes de contratação: empreitada por preço unitário, preço global, empreitada integral, tarefa, contratação integrada, contratação semi-integrada, diálogo competitivo.
- Lei nº 12.462, de 4 de agosto de 2011 Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC). Regimes integrado e semi-integrado · base para a transição às novas modalidades da Lei 14.133/2021.
- Código Civil Brasileiro · Lei nº 10.406/2002 Art. 422 · boa-fé objetiva como princípio contratual.
- Apresentação AP de 03/12/2025 · "Ótica do Construtor — 3 dimensões, PMG, SICRO, boa fé" Manta Associados · Aroeira Salles Advogados. Arquivo: 20251203_ABDIB_AP.pptx (ver Apêndice A.2 #9).
- Apresentação AP4 de 16/10/2025 · "Alocação de Riscos em Contratos Privados — versão completa" Manta + Aroeira Salles. Arquivo: 20251016_ABDIB_AP4.pptx (ver Apêndice A.2 #5). Sistemas + Estruturas + Espectro de colaboração.
- Apresentação AP6 de 01/12/2025 · "Ótica do Empreendedor — Matriz + RDC + ECI" Manta + Aroeira Salles. Arquivo: 20251201ABDIB_AP6.pptx (ver Apêndice A.2 #8). Modelos por perfil de construtora.
- Apresentação AP6 (Manta) sobre setor fragilizado Diagnóstico do ecossistema brasileiro frente à onda de investimentos.
- Apresentação ABDIB_GT_07maio2026_v10.html · "Tendências Globais + Caso Rodoanel + Tese Central" Manta + Aroeira Salles · 07/05/2026.
- Caso Rodoanel SP · Concessão Governo de SP / ARTESP Rodoanel Mário Covas. PPP com CMR + Diálogo Competitivo + PMG → PU → PG sequenciais + Engenharia Independente. Demonstração prática brasileira do Modelo Equilibrado.
- Bain & Company · "U.S. Power Demand Outlook" outubro/2025. Demanda elétrica de data centers nos EUA · driver macro da inovação contratual.
- Deloitte Insights · "2026 Engineering & Construction Industry Outlook" Deloitte LLP. Tarifas EUA sobre aço/alumínio +25-30% em 2025 · pressão na precificação.
- POWER Magazine · "The EPC Partnership Paradigm" novembro/2025.
- Ernst & Young LLP (EY) · "Collaborative contracting can help infrastructure projects deliver on their promises" março/2025.
- Associated General Contractors of America (AGC) · Material Cost Reports 2025.
- Walker, D.H.T. et al. · "Collaborative integrated team project delivery" Emerald Publishing · 2025.
- South Dakota DOT · "Progressive Design-Build One Pager" Department of Transportation · fev/2025. FHWA federal guidance.
- JCT · Joint Contracts Tribunal · "Target Cost Contract" Suíte britânica · primeiro lançamento oficial jun/2025.
- Colliers Project Leaders · "Alliance Contracts" jun/2025. Track record AUS/NZ: 324 alianças entre 1996-2020, US$ 60 bi · economia média 3,5% custo / 7% prazo.
- NEC4 · Engineering and Construction Contract 6 opções de pricing A-F. Adotado HK · Peru · África do Sul · Singapura. Article 3: collaborative working obligation. Cláusula 60: Compensation Events (21 eventos tipificados).
- FIDIC · International Federation of Consulting Engineers Red, Yellow, Silver, Green, Emerald, Gold Books + Collaborative Contract (dez/2024). Cláusula 13: Variation Orders. BCLP/Practical Law · "FIDIC International Contract Users' Conference 2024".
- Hill Dickinson LLP · "Understanding NEC, JCT and FIDIC" jun/2025. Comparação prática das três suítes.
- Norton Rose Fulbright · "Infrastructure delivery methods: Emerging variants" Análise dos modelos colaborativos modernos.
- AIA · American Institute of Architects · EJCDC · ConsensusDocs Suítes contratuais americanas. AIA cobre IPD · três tipos de Change Orders: directive, proposal, constructive.
- Nishimura & Asahi · "Singapore: NEC4 Launch" outubro/2024. Adoção do NEC4 em Singapura.
- FHWA · Federal Highway Administration (EUA) · Guidance sobre Progressive Design-Build, 2025.
- DBIA · Design-Build Institute of America · Guidelines de DB.
- Sutter Health · Caso pioneiro de IPD em hospitais (EUA) · referência em modelo Integrated Project Delivery.
Sobre os Coordenadores e as Empresas
Maurício Neves · Manta Associados
Engenheiro com sólida experiência em projetos de infraestrutura pesada no Brasil. Atuação em concessões rodoviárias, ferroviárias, energia e saneamento. Sócio fundador da Manta Associados. Coordenador técnico do GT pela Manta.
Mariana Miraglia · Aroeira Salles Advogados
Advogada especializada em direito contratual e regulatório de infraestrutura. Atuação em concessões, PPPs e contratos de construção pesada. Sócia da Aroeira Salles. Coordenadora jurídica do GT pela Aroeira Salles.
Manta Associados
Consultoria de engenharia e gestão de projetos de infraestrutura. Estruturação contratual, gestão de riscos, claims, reequilíbrio EF e suporte técnico a empreendedores e construtores.
Aroeira Salles Advogados
Escritório especializado em infraestrutura e regulatório. Concessões, PPPs, contratos de construção, arbitragens e disputas no setor de infraestrutura.
ABDIB
Fundada em 1955, completa 70 anos em 2025. Principal associação representativa do setor de infraestrutura e indústrias de base do Brasil. Este Manual integra a agenda comemorativa.
GT ABDIB · Modelos de Gestão, Alocação de Riscos e Contratos em Construção Pesada
Mai/2025 → Jun/2026 · Edição comemorativa 70 anos ABDIB
Manta Associados · Aroeira Salles Advogados · ABDIB
Modelos Contratuais Mundiais e Paralelismo Brasileiro
Como usar este apêndice: a tabela abaixo é a referência cruzada mais completa do manual. Para cada modelo internacional, mostra o que ele significa no contexto original, como ele aloca os riscos, e qual é o equivalente brasileiro — quando existe — com o respectivo status de adoção. Apoia tanto a leitura de literatura internacional quanto a estruturação de contratos no Brasil.
G.1 ⭐ Tabela-síntese · 12 modelos mundiais com paralelismo brasileiro
| Modelo Internacional | Origem | Características-chave | Alocação típica de risco | ⇄ Equivalente no Brasil |
|---|---|---|---|---|
| ▰ Grupo 1 · Sistemas de Entrega Tradicionais | ||||
| DBBDesign-Bid-Build · projeto, licitação, construção sequenciais | 🇺🇸🇬🇧EUA·UK | Empreendedor contrata projetista e construtor separadamente. Projeto pronto antes da licitação. Modelo mais antigo e ainda dominante em obras públicas. | Projeto: Empreendedor Quantidade: Empreendedor (em PU) ou Construtor (em LS) Construção: Construtor |
Empreitada por Preço Unitário (PU) Empreitada por Preço Global Art. 46, Lei 14.133/2021Amplamente usado |
| DBDesign-Build · responsabilidade única por projeto + obra | 🌍Mundial | Um único contratado responde pelo projeto e pela construção. Permite fast-track (início da obra com projeto em desenvolvimento). Reduz interfaces de gestão. | Projeto: Construtor Quantidade: Construtor Coordenação: Construtor BDI tipicamente alto |
Contratação Integrada Art. 46, Lei 14.133/2021 · também Lei 12.462/2011 (RDC)Crescendo |
| EPCEngineering, Procurement & Construction · turnkey integrado | 🌍Mundial | Variante do DB com suprimentos integrados. Padrão em energia, indústria, óleo & gás, ferroviário. Contrato em geral lump sum. FIDIC Silver Book é o EPC clássico. | Projeto + Suprimentos + Obra: Construtor Performance: Construtor (garantia de desempenho) Maior BDI |
Empreitada Integral (turnkey) Art. 46, Lei 14.133/2021Limitado em obra pública |
| CMR / CM at RiskConstruction Manager at Risk · construtor entra cedo, projetista permanece separado | 🇺🇸EUA | Construtor é contratado cedo, na fase de projeto, com obrigação de entregar a obra dentro do PMG. Projetista mantém-se contratado separadamente pelo Empreendedor. Tipicamente combinado com PMG (GMP). | Projeto: Empreendedor Quantidade: Compart. (E até PMG, C acima) Construção: Construtor |
Modelo "Parceria" em concessões rodoviárias · Aliança em PPPs Sem nomenclatura legal específica — operação contratual⭐ Padrão BR atual |
| ▰ Grupo 2 · Sistemas Colaborativos Modernos | ||||
| PDBProgressive Design-Build · DB com seleção QBS + PMG em milestones | 🇺🇸EUA | DB com seleção por Qualifications-Based Selection (sem preço na fase 1). PMG construído em milestones (30-60-90% de projeto). Tem off-ramp contratual. FHWA endossou em 2025. Padrão no setor de água. | Projeto + Construção: Construtor após milestone Pré-construção: compartilhada Off-ramp: permite retomada pelo owner |
Contratação Semi-Integrada + ECI Art. 46, Lei 14.133 · combinação compatível com lógica PDBSubexplorada |
| IPDIntegrated Project Delivery · contrato único multipartes | 🇺🇸EUA · AIA | Owner + projetista + construtor (às vezes subs) assinam contrato único multipartes. Cláusulas no fault — no blame. Remuneração em pool atrelada a TOC com pain/gain share. Sutter Health pioneiro em hospitais. | Todos os riscos: compartilhados em pool Margem dos signatários: em risco Disputas: proibidas contratualmente |
Sem equivalente institucional Exigiria adaptação regulatória para obra públicaAusente |
| Project AllianceAliança multipartes 100% TOC com pain/gain share | 🇦🇺🇳🇿AUS·NZ | Multipartes em contrato único. 100% da remuneração atrelada ao TOC. Track record: 324 alianças em AUS/NZ entre 1996-2020, US$ 60 bi em obras, economia média 3,5% custo / 7% prazo. Próximo do IPD com mais "skin in the game". | Todos os riscos: compartilhados Margem: 100% em risco contra TOC Não há disputas internas |
Sem equivalente · mais próximo: consórcio integrado ⚠️ Atenção: "Aliança" em PPP BR ≠ Alliance ContractingAusente |
| ▰ Grupo 3 · Suítes Contratuais Internacionais (cardápios) | ||||
| FIDICRed · Yellow · Silver · Green · Emerald · Gold · Collaborative (2024) | 🌍Global | Família de contratos da Federação Internacional dos Engenheiros Consultores. Red Book = obra com projeto do owner (DBB); Yellow = DB; Silver = EPC turnkey; Green = obras menores; Emerald = obras subterrâneas; Gold = DBO. Collaborative Contract lançado em dez/2024. | Variável por book conforme alocação contratual Engineer / DAB / DAAB: instituições centrais |
Adotado em obras com financiamento internacional (BIRD, BID, ferrovias federais) Não tem equivalente direto em legislação brasileiraUso pontual |
| NEC46 opções de pricing (A–F) + Engineering & Construction Contract | 🇬🇧UK · global | Suíte britânica com 6 opções de preço como cardápio: A=Lump Sum · B=Re-mensurável · C=Target Cost com share · D=Target Cost com BoQ · E=Cost reimbursable · F=Management. Adotado em Hong Kong, Peru, África do Sul, Singapura (abr/2024). Article 3: collaborative working obligation. | Opções A/B: mais ao Construtor C/D: compartilhado E/F: mais ao Empreendedor |
Sem equivalente direto Mais próximo: regimes do Art. 46, Lei 14.133/2021 como cardápioNão adotado |
| JCTJoint Contracts Tribunal · suíte britânica + Target Cost (jun/2025) | 🇬🇧UK | Suíte britânica historicamente lump sum. Em jun/2025 lançou pela primeira vez um Target Cost Contract oficial. Revisão JCT 2024 incluiu cláusula de boa-fé colaborativa. | Standard Building Contract: tradicional lump sum Target Cost: banda compartilhada |
Sem equivalente direto Princípios da Lei 14.133 e Código Civil cobrem boa-féNão adotado |
| AIA · ConsensusDocs · EJCDC3 suítes contratuais americanas | 🇺🇸EUA | Três famílias de contratos padrão americanos. AIA (American Institute of Architects) é a mais antiga · cobre IPD. ConsensusDocs tem viés colaborativo. EJCDC foco em obras de engenharia (saneamento, geotecnia). | Change Orders: formalizados (3 tipos: directive, proposal, constructive) DBIA: guidelines paralelas para DB |
Sem equivalente direto Cadernos IBDiC fazem papel parcial de doc-padrãoNão adotado |
| ▰ Grupo 4 · Estruturas de Preço · Dimensão D3 | ||||
| Lump SumPreço fixo fechado | 🌍 | Preço fechado por escopo entregue. Risco máximo ao construtor. Adequado quando escopo é maduro e estável. | Quantidade · Produtividade · Insumos: Construtor (via BDI) | Preço Global · PG Empreitada por Preço Global · Lei 14.133Usado |
| Unit PricePagamento por item medido | 🌍 | Pagamento por quantidade medida × PU contratado. Risco de quantidade no Empreendedor. | Quantidade: Empreendedor Produtividade · Insumos: Construtor |
Preço Unitário · PU Empreitada por Preço Unitário · Lei 14.133 · SICRO/SINAPI como referência⭐ Padrão BR |
| Cost + FeeCost-reimbursable com honorário | 🌍 | Reembolso de custo + honorário. Open book. Risco máximo ao Empreendedor. | Todos os riscos: Empreendedor Construtor: honorário fixo |
Sem nomenclatura específica Usado em consultoria e administração de contratoRestrito |
| GMPGuaranteed Maximum Price · teto garantido | 🇺🇸🌍 | Cost + Fee com teto comprometido. Compartilhamento via pain/gain share. Open book auditado. Tipicamente em CMR e PDB. | Até teto: Empreendedor Acima: Construtor (ou compart.) Economia: compart. (gain share) |
PMG · Preço Máximo Garantido Estrutura contratual em concessões BR (sem lei específica)⭐ Adotado em concessões |
| Target CostCusto-alvo com banda pain/gain share | 🇬🇧🇦🇺UK·AUS | TOC negociado conjuntamente · banda de variação compartilhada · pain/gain share. NEC4 opção C/D, JCT Target Cost (2025), Alliance. | Dentro banda: compartilhado Fora banda: a definir (caps) Economia/estouro: divididos |
Emergente · viável via DB integrado Não há nomenclatura padronizada · Manual recomenda adoção⭐ Emergente |
G.2 Espectro de colaboração · Mundo ⇄ Brasil
Visualização do espectro adversarial → colaborativo com paralelos brasileiros:
G.3 ⚠️ "Falso amigo" · vocabulário que confunde
Algumas palavras têm significados diferentes no Brasil e no mundo. Conhecer essas armadilhas evita erros graves de leitura e tradução contratual.
G.4 Recomendações de leitura comparada
| Para entender melhor… | Consulte no manual | Documentação externa |
|---|---|---|
| O modelo equilibrado brasileiro | Cap 3 (Modelos + Rodoanel) · Rec #12 | Caso Rodoanel · ARTESP |
| PDB para aplicar no Brasil | Cap 4 · Cap 6 (ECI) | DOT South Dakota PDB One Pager · FHWA 2025 |
| Target Cost / Alliance | Cap 4 · Cap 9 (tendências) | NEC4 opções C/D · JCT TCC 2025 · Colliers AUS |
| FIDIC / NEC4 em obras BR | Cap 4 · Apêndice E | Hill Dickinson · BCLP · documentos FIDIC |
| Gestão de mudanças | Cap 8 · Rec #11 | NEC4 Compensation Events · FIDIC Cláusula 13 |
O Brasil não precisa importar nomes. Tem instrumentos equivalentes (PMG ≈ GMP, "Parceria" ≈ CMR, EI ≈ ICE/ICA). O que falta é (1) padronizar a infraestrutura de operação (open book, ICE, milestones); (2) preencher os gaps identificados (IPD/Alliance não têm equivalente); (3) aprofundar a aplicação dos modelos que já temos. Inovação contratual no Brasil = aprofundar o que existe + conhecer o vocabulário internacional para evitar reinventar a roda.
▶ Apresentação Executiva · 5 Slides
Versão executiva consolidada para reuniões de 15 minutos · pode ser exibida em tela, impressa em PDF ou exportada para PowerPoint via Word.