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Manual_ABDIB_20260514.html
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Manual de Boas Práticas · Edição 70 anos ABDIB
▰ Grupo de Trabalho
Modelos de Gestão, Alocação de Riscos e Contratos em Construção Pesada
Marco técnico-jurídico para os R$ 757,3 bilhões em 469 projetos mapeados pelo Livro Azul da Infraestrutura ABDIB 2025 nos próximos 5 anos. Combinar criativamente o que já existe no Brasil com modelos internacionais consagrados.
Edição
· 2026
Ciclo do GT
Mai/2025 – Jun/2026
Capítulos
11 + 7 apêndices
Versão
11.0 · Profissional
Coordenação Técnica
Manta Associados
Aroeira Salles Advogados

Apresentação

A ABDIB completa 70 anos em 2025 como referência institucional do setor de infraestrutura no Brasil. Este manual é a contribuição do Grupo de Trabalho de Modelos de Gestão, Alocação de Riscos e Contratos em Construção Pesada à comunidade técnica, com o objetivo de consolidar boas práticas contratuais capazes de capturar a janela histórica de investimentos privados em infraestrutura.

Por que este manualO contexto

Brasil tem nos próximos 5 anos R$ 757,3 bi em 469 projetos mapeados pelo Livro Azul ABDIB 2025, com 84% de participação privada — patamar inédito. Em paralelo, ecossistema fragilizado: construtoras concentradas, projetistas no caminho crítico, gargalo de equipamentos e mão de obra.

O que este manual entregaO escopo

11 capítulos cobrem: 3 dimensões contratuais (Sistema, Forma, Preço); Caso Rodoanel; modelos praticados em concessões rodoviárias BR; tendências globais (PDB, JCT, Alliance, NEC4, FIDIC); matriz de alocação de riscos; gestão de mudanças; estudo de caso simulado; recomendações; quadro legal.

Para quem é este manualO público

Concessionárias, construtoras, projetistas, advogados, financiadores, seguradoras, reguladores e governos. Quem decide modelo contratual no início de projetos de infraestrutura. Quem gestiona contratos no meio. Quem reequilibra ao final.

▰ Tese central

Inovação contratual no Brasil = combinar criativamente o que já existe + conhecer e aprofundar a aplicação de modelos consagrados internacionalmente. Não inventar, mas aplicar com profundidade.

▰ Como chegamos a este manual · histórico do GT

O Grupo de Trabalho da ABDIB foi constituído em maio/2025 e tem ciclo previsto até junho/2026, totalizando ~14 meses de trabalho colaborativo. As reuniões ocorrem mensalmente, sempre ao redor do dia 5 de cada mês. Cada apresentação avançou um aspecto da matriz contratual-de-risco, num caminho que partiu do diagnóstico estrutural e chegou à consolidação deste manual.

MAI/25Kickoff
ConstituiçãoConstituição do GT na ABDIBCoordenação Manta Associados + Aroeira Salles Advogados · escopo: modelos contratuais para construção pesada e PPPs de infraestrutura.
SET/25AP1
AP1 · 04/SET/2025 Estruturas atuais de vinculação Concessionária–ConstrutoraTipologias contratuais aplicadas hoje · dinâmica de atores no ciclo CAPEX · perguntas-chave levantadas para o trabalho do GT.
OUT/25AP2
AP2 · 02/OUT/2025 Tempos e Movimentos na Alocação de RiscosDimensão do problema brasileiro: R$ 102 bi licitados · 7.271 km pipeline 2025 · projeção 60.000 km em 2030 (Dobrar a Malha — ABCR).
NOV/25AP3
AP3 · 04/NOV/2025 Contratos Privados · Matriz CMR, DB/EPC, DBBEstruturas de preço · SICRO como referência · papel do ECI (Early Contractor Involvement) no Brasil.
DEZ/25AP4
AP4 · 01/DEZ/2025 Ótica do Empreendedor — Matriz + RDC + ECIProject Delivery Systems: DBB, DB, CMR · Lei 14.133/2021 · matriz de risco do Empreendedor · contratação semi-integrada + ECI.
DEZ/25AP5
AP5 · 03/DEZ/2025 Ótica do Construtor — 3 dimensões + PMG + SICRO + boa féMatriz de riscos e mitigação pré/pós licitação · ECI e modelos por perfil de Construtora · princípio do Art. 422 CC.
JAN/26Recesso
Sem reuniãoRecesso · sem atividades programadasPeríodo de consolidação dos resultados de 2025 e preparação dos próximos temas.
FEV/26Revisão
NivelamentoRevisão e Reapresentação da Ótica do ConstrutorNivelamento para membros ausentes · re-aprofundamento da AP5 e perguntas residuais.
MAR/26Alinhamento
Reunião s/ apres.Reunião de Alinhamento · sem apresentação formalDefinição dos próximos temas: Seguros · Casos de Estudo · Manual de Boas Práticas.
ABR/26AP6
AP6 · 06/ABR/2026 Seguros em Construção Pesada — Uso EfetivoEstudo de caso: seguros como ferramenta de gestão de risco em construção pesada · integração com a matriz contratual.
MAI/26Atual
AGORAEste Manual de Boas PráticasConsolidação de todo o trabalho do GT · 11 capítulos + 7 apêndices · referência institucional para o setor brasileiro de infraestrutura.
JUN/26Conclusão
PróximoEncerramento do GT · entrega oficial à ABDIBEstudos de caso adicionais · documento final · apresentação institucional aos 70 anos da ABDIB.
14meses de trabalhoMai/2025 a Jun/2026
11reuniões mensaisAo redor do dia 5
6apresentações+ 1 recesso (Jan/26)
2coordenadoresManta + Aroeira Salles
▰ Método

O trabalho do GT seguiu método iterativo: cada reunião aprofundou um aspecto específico (estruturas → tempos → contratos → óticas → seguros), com cumulatividade analítica. As apresentações estão disponíveis em PDF clicando nas etiquetas 📎 APx acima.

PDF anexo embutido neste manual 📥 Baixar PDF
Manual de Boas Práticas · GT ABDIB · v14.0

Sumário do Manual 11 capítulos · ~32 páginas A4 + 5 slides · 25+ visuais · 6 PDFs anexos

Grupo de Trabalho ABDIB · Ciclo Mai/2025 → Jun/2026 · Manta Associados + Aroeira Salles Advogados
Coordenadores: Maurício Neves (Manta) + Mariana Miraglia (Aroeira Salles)
Versão10.0 · com modelos BR praticados
Páginas~30 A4 + 5 slides
Capítulos11 + 7 apêndices
DadosLivro Azul + Ranking 2025 + AP4-AP6
📋 Sumário Executivo
Leitura de 5 minutos · GT ABDIB
▰ O Contexto

R$ 757,3 bi469 projetos1 mapeados pelo Livro Azul ABDIB 20251 nos próximos 5 anos, com 84% privado — patamar inédito.

⚠️ Gap de capacidade: setor cresceu +147% em 7 anos (R$ 143,8 bi/ano em 2024)31 · mas demanda total (infra + O&G + mineração + DC) excede oferta · 4 estresses ativos: equipamentos · mão de obra · gestão contratual privada · projetistas no caminho crítico permanente.

▰ A Tese Central ⭐

"A alocação de risco do contrato começa pelo modelo contratual."

Modelo → Risco → Gestão. Causal, não paralelo. Inovação = combinar criativamente + aprofundar modelos internacionais.

▰ A Resposta Brasileira

PU no leilão → PG + PU residual em itens incertos (terraplenagem, geotecnia, OAE, restaurações).

Caso Rodoanel SP comprova
▰ Top 5 Recomendações de Melhores Práticas
  1. Modelo é decisão estratégica, não administrativa
  2. ⭐ Modelo PU→PG+PU residual (Rec #12 · central)
  3. Lucro absoluto fixo em PMG (elimina incentivo perverso)
  4. PU sustentado até globalizar PG (mantém investidor engajado)
  5. ⭐ Gestão formal de mudanças (Rec #11 · −60-80% claims)
▰ O que este Manual traz
  • 11 capítulos + 7 apêndices em ~22 páginas
  • 12 modelos contratuais mundiais comparados (Apêndice G ⇄)
  • Caso Rodoanel + Simulado R$ 2 bi com mecânica completa
  • 12 Recomendações acionáveis sem reforma legal
  • GED com 20 documentos linkados
  • Apresentação executiva de 5 slides ao final
▰ Como ler · 3 rotas
EXEC10 min Sumário Executivo + Cap 2 (Tese) + Cap 10 (Recomendações)
GESTOR30 min Sumário + Caps 1-3 (Contexto, Tese, Modelos+Rodoanel) + Caps 10-11
ESPEC.1-2 h Manual completo + Apêndice G ⇄ + Documentos do GED
01
▰ Abertura · O contexto
O Brasil tem uma janela histórica de R$ 757,3 bi em infraestrutura
469 projetos mapeados pelo Livro Azul ABDIB 2025 nos próximos 5 anos · 84% privado · ecossistema sob estresse com 4 gargalos simultâneos: equipamentos · mão de obra · gestão contratual · projetistas no caminho crítico.

O Contexto Brasileiro · GT e Construção Pesada

R$ 757,3 bi em pipeline · setor fragilizado · diferença radical entre obra pública e privada · por que este manual existe agora.

1.1 O GT em uma página

Nome oficialGT ABDIB · Modelos de Gestão, Alocação de Riscos e Contratos em Construção Pesada
CoordenaçãoManta Associados (Maurício Neves) + Aroeira Salles Advogados (Mariana Miraglia)
CicloMai/2025 → Jun/2026 · 24 meses · 16 apresentações catalogadas
ContextoEdição comemorativa 70 anos ABDIB
EntregasEste Manual · Seminário Presencial · Posicionamento ABDIB · GED documental

1.2 A janela histórica · R$ 757,3 bilhões · 469 projetos

O Livro Azul da Infraestrutura ABDIB 2025 mapeia 469 novos projetos federais, estaduais e municipais que totalizam R$ 757,3 bilhões em investimentos previstos, distribuídos em rodovias, ferrovias, energia, saneamento, portos, aeroportos, mobilidade urbana e infraestrutura social. Situação em 22 de outubro de 2025.1 O setor privado responde por 84% desses investimentos1 — patamar inédito. Em 2024, o investimento privado em infraestrutura atingiu R$ 165 bi, maior valor da série histórica.1

Distribuição setorial dos 469 projetos

SetorProjetosR$ bi% total
Rodovias61209,527,7%
Ferrovias19183,324,2%
Mobilidade Urbana35174,623,1%
Saneamento2181,110,7%
Energia Elétrica3724,33,2%
Infra Social12920,02,6%
Portos3318,92,5%
Resíduos · Aeroportos · Comm · Iluminação · outros13445,66,0%
TOTAL469757,3100%

Fonte: Livro Azul ABDIB 2025, p. 320 · Situação em 22/10/2025.1

Por origem: R$ 327,5 bi federal + R$ 429,8 bi outros entes (Estados, DF, Municípios). Concentração regional: Sudeste R$ 270,7 bi · Nordeste R$ 75,9 bi · Centro-Oeste R$ 32,1 bi · Norte R$ 27,1 bi · Sul R$ 24,1 bi.1

1.3 O setor fragilizado para entregar

Em paralelo à onda de investimentos, o ecossistema que entrega essas obras passa por fragilidades estruturais:

AtorDiagnóstico
ConstrutorasConcentração e fragmentação pós-Lava Jato · capacidade limitada para projetos > R$ 2 bi
ProjetistasEscassez crítica · perda de seniores na última década · gargalo de capacidade
Mão de obraFalta de engenheiros e técnicos seniores · disputa entre projetos eleva custos
ReguladoresCapacidade técnica reduzida · equipes envelhecidas · defasagem frente à complexidade dos contratos
InvestidoresApetite alto exigindo previsibilidade · não absorvem mais risco em lump sum
SeguradorasMercado limitado para grandes contratos · prêmios subindo · capacidade restrita

1.4 ⭐ A grande mudança · Obra Privada vs Obra Pública no Brasil

A diferença mais relevante para entender por que os modelos contratuais precisam evoluir está em como obra pública e obra privada são implantadas. São processos radicalmente distintos quanto à maturidade do projeto, alocação de risco e velocidade.

▸ Obra PRIVADA · Concessão / PPP

Leilão de investimento com ~20% de projeto

EVTE → LEILÃO (~20% projeto) → PRÉ-CONSTRUÇÃO (12-18m) → CONSTRUÇÃO → OPERAÇÃO
  • Leilão com ~20% de maturidade do projeto
  • Risco altíssimo de quantidade (±30-50%)
  • Risco altíssimo de preço de insumos
  • Concessionária assume riscos do CAPEX
  • Remuneração via tarifa de pedágio
  • Regulação via Matriz de Risco contratual
▸ Obra PÚBLICA · Lei 14.133/2021

Licitação com projeto detalhado pronto

PROJETO BÁSICO/EXECUTIVO (100%) → LICITAÇÃO (com quantitativos) → CONSTRUÇÃO → ENTREGA
  • Licitação com projeto detalhado completo
  • Quantitativos definidos baseados no projeto
  • Preços unitários SICRO / SINAPI
  • Poder Público assume risco de projeto
  • Construtor executa com PU fixado
  • Velocidade limitada · projeto antes do leilão

⚠️ Consequência crítica: projeto detalhado vira CAMINHO CRÍTICO pós-leilão privado

No modelo privado, o leilão fecha com 20% de projeto — mas o projeto definitivo precisa ficar pronto para a obra avançar. Esse projeto pós-leilão é o gargalo de cronograma do empreendimento. Os modelos contratuais inovadores (PMG, ECI, PDB, PU residual) são respostas técnicas a esse problema.

1.5 Construção Pesada · o perímetro deste manual

Construção pesada = obras de infraestrutura física com CAPEX bilionário, prazos longos (3-10 anos) e incerteza geotécnica/ambiental: rodovias, ferrovias, energia, saneamento, portos, aeroportos, túneis, OAEs, mobilidade urbana. Brasil tem ~8.000 km de rodovias concedidas — maior número absoluto do mundo. Práticas de obra civil leve não servem aqui.

1.6 ⭐ Capacidade das construtoras × demanda · o gap real do mercado

Os R$ 757,3 bi do Livro Azul são apenas a primeira camada da demanda. Em paralelo, mineração, óleo & gás, indústria pesada, data centers, COP30 e a reconstrução do RS competem pelos mesmos equipamentos, mão de obra qualificada e capacidade de gestão. Esta seção mostra que a oferta atual do setor de engenharia não é suficiente para esse volume — e que o estresse já é visível.

A · A capacidade atual do setor (2024)

O Ranking da Engenharia Brasileira 2025 (Revista O Empreiteiro) consolidou o faturamento das 190 maiores empresas em R$ 143,81 bilhões em 202431, subdividido em quatro segmentos: Construtoras, Projetistas e Gerenciadoras, Montagem Industrial e Serviços Especiais de Engenharia. O segmento Construtoras sozinho — núcleo da execução de obras pesadas — somou R$ 82,6 bilhões entre as 100 maiores31.

B · A evolução recente · um crescimento brutal pós-Lava Jato

A recuperação do setor desde 2018 foi excepcional em ritmo:

  • Setor consolidado (190 maiores): +147,41% de receita acumulada entre 2018 e 202431
  • Apenas Construtoras (100 maiores): +126% no mesmo período31
  • Montagem Industrial: +146% desde 201831
  • Serviços Especiais de Engenharia: +297% acumulados31

Esse crescimento brutal — superior a 100% em sete anos — é o que está estressando o setor. A oferta cresceu, mas não na velocidade da demanda que se materializou em paralelo (concessões, Novo PAC, mercado privado, eventos como COP30).

C · Top 10 construtoras brasileiras · 2024 (anonimizado)

Por se tratar de manual de práticas setoriais, os nomes específicos das construtoras são omitidos. A análise foca em magnitude e distribuição. Lista nominal completa disponível no Ranking 2025 da Revista O Empreiteiro31.

#EmpresaOrigemReceita 2024 (R$ mi)Var. 23/24
1Construtora A (líder)SP5.246+72%
2Construtora B (multinacional)SP3.926+27%
3Construtora C (multinacional)SP3.764+14%
4Construtora DMG3.530+15%
5Construtora EMG2.652+58%
6Construtora FSP2.077+8%
7Construtora GRJ1.933+38%
8Construtora HMG1.793+15%
9Construtora ISP1.777+78%
10Construtora JRJ1.763+35%

Concentração: Top 10 somam R$ 28,4 bi = 34% das 100 maiores construtoras · 6 sediadas em SP, 3 em MG, 2 em RJ · Fonte: Ranking 2025 · Revista O Empreiteiro · edição 602 (Ago/Set 2025).31

D · A demanda real vai muito além dos R$ 757,3 bi

Construção pesada de infraestrutura é apenas parte da demanda que disputa o mesmo pool de empresas, equipamentos e profissionais. Em paralelo, vários setores também aceleram:

▰ Demandas paralelas que estressam o mesmo setor (2026-2030)
🛢️ Óleo & GásPetrobras: R$ 33 bi só em Reduc + Boaventura · P-78 Búzios · novos campos pré-salFonte: Revista OE 602
⛏️ MineraçãoVale: US$ 5 bi em reabilitação de barragens · Samarco retomada R$ 13 bi · Hydro · Aura · Arcelor · ItaminasFonte: Revista OE 602
🏭 Indústria PesadaCMPC celulose RS · 7 refinarias de etanol de milho (R$ 7 bi) · Gerdau · siderúrgicasFonte: Revista OE 602
💾 Data Centers5 polos autorizados pela ANEEL · maior complexo da AL em construção · Vertin Eng. +566% receita 2024Fonte: Revista OE 602
🏗️ COP30 Belém~90% das obras urbanas em fase avançada · legado infraestruturaFonte: Revista OE 602
🌊 Reconstrução RSObras emergenciais demandaram mobilização rápida em diversas frentesFonte: Revista OE 602
⚡ LT & Geração65 PCHs + hidrelétricas (R$ 5,5-8 bi) · 50% obras transmissão antecipadasFonte: ANEEL via Revista OE
🏘️ MCMV + Imobiliário+50% das vendas · expansão em cidades médias · disputa mão de obraFonte: Revista OE 602

E · O gap quantitativo · uma balança visual clara

▰ Demanda × Oferta · R$ bi/ano · setor de Engenharia BR (2026)
Comparação ilustrativa anualizada · demanda agregada (todos os setores que disputam o mesmo pool de empresas) versus oferta total do setor de Engenharia (190 maiores empresas).
▼ Demanda Anualizada
R$ 40 biIndústria + Data Centers + COP30 + RS
R$ 50 biÓleo & Gás + Mineração + LT
R$ 151 biLivro Azul ABDIB · R$ 757,3 bi / 5 anos
Total Demanda
R$ 241 bi/ano
⚠️
GAP de Capacidade
R$ 97 bi
~40% da demanda
sem cobertura no mercado
Demanda total R$ 241 bi menos Oferta total R$ 143,8 bi = capacidade que o mercado não consegue entregar nos prazos atuais.
▼ Oferta Anualizada
R$ 143,8 bi190 maiores empresas do setor de Engenharia
(Construtoras + Projetistas + Montagem Industrial + Serviços Especiais)

+147% acumulado 2018-2024[31]
Total Oferta
R$ 143,8 bi/ano
Como ler: à esquerda, a demanda agregada que disputa o mesmo pool de empresas, equipamentos e profissionais (Livro Azul ABDIB + O&G/Mineração + Indústria/DC). À direita, a capacidade total instalada do setor de Engenharia BR. O GAP de R$ 97 bi/ano ao centro é a diferença que o mercado simplesmente não tem condições de entregar nos prazos atuais — e é por isso que os modelos contratuais escolhidos precisam distribuir esse estresse, não amplificá-lo.

F · Os 4 estresses simultâneos do setor

O crescimento brutal (+147% em 7 anos) sem expansão proporcional da estrutura física e humana criou quatro pontos de estresse que operam simultaneamente e amplificam riscos contratuais:

Falta de Equipamentos
Equipamentos pesados (escavadeiras, perfuratrizes, fôrmas, TBM, britagem) com lead time 12-18 meses. Frota envelhecida, importação cara.
  • Locação dispara: +15-64% no segmento31
  • Concorrência simultânea por equipamentos pesados
  • Reposição CAPEX limitada por balanços frágeis
Mão de Obra Qualificada
Engenheiros e técnicos seniores escassos. Geração perdida 2014-2020. Faculdades formam menos. Tech compete.
  • Salários +30-50% em 2 anos para seniores
  • Engenharia de campo, planejamento, contratos
  • Soldadores, operadores, mestres de obra
  • Mercado privado paga mais — perda para concessionárias
Gestão Contratual Privada
Construtoras formadas em obra pública (DBB + PU + projeto pronto) encontram modelo radicalmente diferente em concessão privada (CMR + PMG + projeto imaturo + ECI + EI).
  • Times de claims e contratos sub-dimensionados
  • Gestão de mudanças, milestones de PMG, open book — competências novas
  • Conflito "DNA pública" × "DNA concessão"
Projetistas no Caminho Crítico
Segmento Projetistas+Gerenciadoras: R$ 12 bi/ano (Top 190)31 · cresceu apenas +74% em 7 anos (abaixo dos 147% setoriais).
  • Maioria das projetistas <200 funcionários
  • Geotecnia, OAEs, ferroviário, elétrico em escassez aguda
  • BIM e digitalização incipientes em infra pesada
  • ⚠️ No modelo privado é o caminho crítico permanente

⭐ Por que o projetista está SEMPRE no caminho crítico (modelo privado)

O 4º estresse merece um detalhamento próprio. Em concessões privadas, o projetista nunca sai do caminho crítico por uma razão estrutural — não é falta de capacidade isolada, é a forma como o modelo opera:

📐 O Projetista no Caminho Crítico · ciclo permanente no modelo privado
Estágio 1 · Pré-leilão Estudo conceitual com pouco tempo ~20% projeto · sem geotecnia, hidrologia, ambiental
Estágio 2 · Leilão PPP Decisão de CAPEX com projeto imaturo Concessionária assume risco
Estágio 3 · Pré-construção Projeto detalhado a ser feito em 12-18m Sob pressão do prazo da obra
Estágio 4 · Execução Projeto ainda em desenvolvimento durante obra Retrabalho · aditivos · claims
⚠️ Em cada um dos 4 estágios, o projetista é o caminho crítico — sob pressão, com prazo curto, em escassez de seniores. É um ciclo estrutural, não um problema isolado.

A combinação poucos estudos no leilão + prazo curto para preparar lance + obra que precisa começar antes do projeto estar pronto = projetista pressionado permanentemente. Isso explica boa parte dos aditivos, claims e reequilíbrios que vemos hoje em concessões — não é só geotecnia surpresa, é projeto sub-amadurecido por construção.

A implicação para o GT

A "janela histórica" só será capturada se os três estresses forem endereçados em paralelo: ampliar parque de equipamentos, formar mão de obra qualificada (centros de excelência, programas de trainees) e — onde o GT mais pode contribuir — adaptar os modelos contratuais à nova realidade de obra privada.

Modelos lump sum tradicionais em obra com 20% de projeto, equipe operando no limite e equipamentos disputados amplificam riscos. Modelos colaborativos (CMR + PMG, PDB, Target Cost, ECI formal) distribuem esses estresses entre as partes em vez de concentrá-los no construtor.

Implicação central

O setor não cresceu apenas em receita — cresceu 147% em 7 anos sob estresse. A boa notícia é que esse crescimento prova que há capacidade de resposta. A má é que não há margem para erros de modelagem contratual. Cada R$ 1 bi alocado em modelo errado adiciona pressão sobre um setor já no limite.

A janela exige resposta agora

R$ 757,3 bi em 5 anos é uma oportunidade histórica. Só será capturada com modelos contratuais que compensem as fragilidades do ecossistema, não que as amplifiquem. Esta é a razão deste manual.

▰ Fontes citadas neste capítulo
  • ABDIB · Livro Azul da Infraestrutura 2025 · Diretoria de Planejamento e Economia · São Paulo, novembro/2025. Quadro resumo p. 320 · Investimentos privados cap. 12, p. 320-330 · Situação em 22/10/2025.
  • Apresentação AP6 do GT · "Ótica do Empreendedor — Matriz de Risco + RDC + ECI" · Manta Associados, 01/12/2025. Diagnóstico do setor fragilizado.
  • Revista O Empreiteiro · Edição 602 (Ano LXIV, Ago/Set 2025) · "Ranking da Engenharia Brasileira 2025 · As 190 maiores empresas faturaram R$ 143,81 bilhões em 2024" · p. 286-336. Pesquisa exclusiva da Revista. Inclui Top 10 construtoras, série histórica 2018-2024, segmentos de Construtoras / Projetistas / Montagem Industrial / Serviços Especiais.
02
▰ Parte I · Modelo Contratual
A escolha do modelo contratual define a alocação de risco
Modelo, Risco e Gestão são causalmente conectados. O modelo é o ato fundador. Risco e gestão são consequência.

A escolha do modelo contratual define a alocação de risco

Modelo, Risco e Gestão não são pilares paralelos. São causalmente conectados. O modelo é o ato fundador; risco e gestão são consequência.
A tese-mestre do GT

"A alocação de risco do contrato começa pelo modelo contratual."

A escolha do modelo (Sistema × Forma × Estrutura de Preço) já define em grande parte como os riscos serão distribuídos entre as partes e como o projeto precisará ser gerido. Modelo errado não se conserta com gestão sofisticada depois.

▰ Espectro de colaboração nos modelos contratuais · do adversarial ao colaborativo
DBBDesign-Bid-BuildTradicional · risco 100% na construtora
DBDesign-BuildRisco do projeto integrado
CMRCM-at-RiskEnvolvimento precoce + PMG
IPDIntegrated Project DeliveryMultipartes · risco compartilhado
AllianceProject AlliancePool de remuneração em risco

A escolha do ponto no espectro determina a alocação de risco · não é decisão administrativa, é estratégica.

2.1 O fluxo causal · Modelo → Risco → Gestão

▰ Ato Fundador
MODELO DE CONTRATO
Sistema × Forma × Preço
▰ Consequência 1
ALOCAÇÃO DE RISCO
Quase determinada
▰ Consequência 2
MODELO DE GESTÃO
Instrumento operacional

2.2 Inovação não é inventar · é combinar + aprofundar

A inovação contratual relevante para o Brasil não exige reinventar a roda. As ferramentas necessárias já existem — DBB, DB, EPC, CMR, PDB, Alliance, Lump Sum, PU, PMG, Target Cost, ECI, EI. A inovação está em dois movimentos complementares:

▸ Movimento 1

Combinar criativamente o que já existe

Sistemas × Formas × Estruturas têm ~150 combinações teóricas possíveis. O Brasil usa 3-4 por convenção. A inovação aplicada está em escolher a combinação certa para cada projeto.

→ Caso Rodoanel é a prova brasileira

▸ Movimento 2

Adaptar e aprofundar modelos internacionais

PDB nos EUA12, JCT Target Cost no UK14, Alliance na Austrália15, NEC4 mundial16, FIDIC Collaborative17 — modelos consagrados que operam dentro do quadro legal brasileiro atual sem precisar de reforma.

→ Não é importar · é aprofundar a aplicação

2.3 Implicações práticas

  1. Escolher o modelo é decisão estratégica, não administrativa. Não cabe ao jurídico ou ao "padrão da casa".
  2. Gestão sofisticada não conserta modelo errado. EI, ECI, governança colaborativa operam dentro da alocação definida — não a corrigem.
  3. Profundidade técnica é o diferencial. Conhecer e aplicar modelos internacionais com profundidade é a forma mais rápida e segura de inovar no Brasil.
▰ Fontes citadas neste capítulo
  • Apresentação AP de 03/12/2025 · "Ótica do Construtor — 3 dimensões, PMG, SICRO, boa fé" · Manta Associados. Origem da tese central.
  • Apresentação AP4 de 16/10/2025 · "Alocação de Riscos em Contratos Privados — versão completa" · Manta + Aroeira Salles. Sistemas + estruturas + espectro de colaboração.
  • DOT South Dakota · Progressive Design-Build One Pager · fev/2025. FHWA federal guidance.
  • JCT (Joint Contracts Tribunal) · "Target Cost Contract" · UK, jun/2025. Primeira versão oficial.
  • Colliers Project Leaders · "Alliance Contracts" · jun/2025. Track record AUS/NZ.
  • NEC4 · Engineering and Construction Contract · 6 opções de pricing A-F. Adotado HK · Peru · África do Sul · Singapura (Nishimura & Asahi, out/2024).
  • FIDIC · Collaborative Contract · primeira versão dez/2024 · BCLP/Practical Law, FIDIC International Contract Users' Conference 2024.
▰ Parte I · Modelos Contratuais

As 3 Dimensões e o Caso Brasileiro de Sucesso

As escolhas que definem tudo · o modelo equilibrado PU→PG+PU residual · o Caso Rodoanel SP.
03
▰ Parte I · Modelo Contratual
As 3 Dimensões do Modelo · Caso Rodoanel · Modelos Praticados BR
Todo modelo contratual é a combinação de 3 escolhas independentes (Sistema × Forma × Preço). O modelo brasileiro equilibrado já existe — o Rodoanel demonstra. E os modelos efetivamente praticados em concessões rodoviárias BR hoje precisam ser mapeados.

As 3 Dimensões do Modelo Contratual + Caso Rodoanel

Todo modelo é a combinação de 3 escolhas independentes. O modelo brasileiro equilibrado (PU → PG + PU residual) é a resposta consolidada. O Rodoanel demonstra na prática.

3.1 As 3 Dimensões independentes

Dimensão 1 · D1

Sistema de Entrega

Quem responde por projeto e construção?
  • DBB · projeto e obra separados
  • DB / EPC · responsabilidade única
  • CMR · "Parceria" brasileira
  • PDB · Progressive DB
  • IPD · Alliance · multipartes
Dimensão 2 · D2

Forma de Contratação

Como o construtor é selecionado?
  • Menor Preço · ranking puro
  • Técnica + Preço · "melhor valor"
  • QBS · qualificação, sem preço
  • Diálogo Competitivo (Lei 14.133)
  • Two-stage Open Book
Dimensão 3 · D3

Estrutura de Preço

Como se mede e se paga?
  • Preço Global · Lump Sum
  • Preço Unitário · PU
  • Cost + Fee
  • PMG · GMP · teto garantido
  • Target Cost · pain/gain share

3 dimensões × ~5 opções cada = ~150 combinações teóricas. Brasil usa 3-4 por convenção. A inovação está em escolher a combinação certa para cada projeto.

⚠️ Atenção crítica: responsabilidade pelo projeto

Em DBB e CMR, o Empreendedor permanece responsável pelo projeto. Em obras > R$ 1 bi, isso é risco bilionário escondido: sondagem insuficiente, projeto executivo incompleto, interferências não mapeadas viram aditivos. Em DB/EPC, o risco é do construtor — mas o BDI explode.

3.2 Espectro da colaboração

Mais adversarial →Intermediário →Mais relacional
DBB · Lump SumDB · EPC · CMRPDB · IPD · Alliance
Risco transferidoRisco parcialmente compartilhadoRisco totalmente compartilhado

3.3 As Estruturas de Preço e a alocação de risco que criam

EstruturaQuantidadeProdutividadeInsumosTransparência
Lump SumConstrutorConstrutorConstrutorBaixa
Preço UnitárioEmpreendedorConstrutorConstrutorMédia
Cost + FeeEmpreendedorEmpreendedorEmpreendedorTotal
PMG · GMPE até teto, C acimaCompartilhadoCompartilhadoAlta
Target CostBandaCompartilhadoCompartilhadoTotal

E = Empreendedor · C = Construtor · EC = Compartilhado

3.4 ⭐ O Modelo Brasileiro Equilibrado · PU no leilão → PG + PU residual

De todos os arranjos testados no Brasil em construção pesada, um se destaca como o mais equilibrado e de maior taxa de sucesso comprovada:

T0 · LEILÃO em PU — disputa por PU sobre quantitativos preliminares

T0 → T+18m · PRÉ-CONSTRUÇÃO em PU — paga o que mede · investidor permanece dono do projeto

T+18m · MARCO de Globalização

T+18m → T+54m · EXECUÇÃO HÍBRIDA
  • PG fechado para escopo previsível
  • PU residual para itens incertos
PilarComo o modelo atende
InvestidorEngajado durante a pré (PU força olhar) · previsibilidade no PG quando projeto está pronto
ConstrutorNão assume risco de quantidade sobre projeto imaturo · ganha previsibilidade no PG
Itens incertosFicam em PU residual · não viram disputa
CronogramaObra inicia em paralelo à pré (velocidade PPP)
ReequilíbrioReduzido drasticamente · itens incertos já tratados em PU

Itens tipicamente em PU residual

Terraplenagem (solo real ≠ sondagem) · contenções e taludes · drenagem profunda (interferências) · fundações de OAE (sondagem firme só com obra) · restaurações de pavimento (estado real só na execução) · demolições e reaproveitamento (passivos pré-existentes) · tratamentos especiais de solo.

3.5 ⭐ Caso Rodoanel SP · a demonstração brasileira

O Rodoanel Mário Covas (PPP ARTESP / Governo SP) é a prova prática brasileira do modelo equilibrado. Combina CMR + Diálogo Competitivo + PMG → PU → PG sequenciais + Engenharia Independente.

⚠️ Não é obra pública — é PPP de concessão privada

A concessionária privada assume o risco de terminar a obra, remunera-se via tarifa de pedágio, e a ARTESP regula via Matriz de Risco contratual com gatilhos de reequilíbrio. O investidor privado tem skin in the game desde o leilão da concessão.

A modelagem nas 3 dimensões

DimensãoEscolhaFunção
Estrutura PPPConcessão · ARTESP regula · Governo SP concedenteVeículo institucional
D1 · SistemaCMR · construtor entra cedoEnvolvimento construtivo precoce
D2 · FormaDiálogo Competitivo + qualificaçãoNegociação iterativa
D3 · PreçoPMG → PU → PG sequenciaisEvolui conforme projeto amadurece
GovernançaEngenharia Independente da ARTESPValida transições e quantidades

Cronograma · Gantt da velocidade PPP

Cronograma do contrato · meses
PMG (teto)
T0
Early works (PU)
~6m em paralelo
Pré-construção (PU)
12-18m · PU
Marco Globalização
T+18m
Execução PG + PU residual
36m · PG core + PU residual em itens incertos
T05m10m15m20m25m30m35m40m45m50m54m
Velocidade impossível em obra pública tradicional Obra começa em ~6 meses em paralelo à pré-construção. Em DBB tradicional, seria preciso ter projeto executivo completo na licitação — postergando início para T+24m a T+36m.

A tese demonstrada

O Rodoanel = CMR (Sistema) + Diálogo (Forma) + PMG→PU→PG (Preço) + PU residual em itens incertos. Nenhuma peça é nova. A inovação está na combinação. O Brasil já está fazendo — falta padronizar e estender.

3.6 ⭐ Modelos Praticados HOJE em Concessões Rodoviárias BR

Para enxergar com clareza onde o setor está, vale mapear o que está sendo efetivamente praticado na vinculação Concessionária–Construtora em PPPs rodoviárias brasileiras hoje. A diversidade é alta, mas há um padrão dominante e padrões alternativos emergentes.56

▰ Timeline do ciclo de concessão rodoviária BR · prática atual
T0
Edital
T+90d
Leilão
T+6m
Contrato
T+24m
Pré-constr.
T+3a
Obras CAPEX
Publicação do EditalCAPEX nível conceitual~20% projeto · sem estudos básicos
Proposta vinculadaLicitante estima CAPEX cedo90 dias · informação limitada
Contrato de ConcessãoRiscos parcialmente transferidosQuantidades + geologia → concessionária
Pré-construçãoDesenvolvimento do projeto~18 meses · negocia PMG
Início obrasContrato EPC ou PMG ativo3 anos após contrato de concessão

A · A dinâmica padrão · etapa de licitação PPP

Em PPPs rodoviárias brasileiras hoje, a etapa de licitação tem características recorrentes que definem o ponto de partida dos modelos contratuais:5

  • Poder Concedente fornece: edital com CAPEX em nível conceitual, sem estudos básicos completos (geotecnia, hidrologia, ambiental). Riscos de desapropriação e interferências compartilhados.
  • Licitante (futuro concessionário) estima cedo o CAPEX com as informações limitadas disponíveis · ~90 dias entre publicação do edital e proposta vinculada.
  • Após assinatura do contrato de concessão: período inicial de recuperação de ~3 anos antes das obrigações de CAPEX começarem · janela usada como pré-construção para desenvolver projeto.
  • Pré-construção dura ~18 meses: nesse prazo desenvolve-se o projeto e contrata-se a obra com preço fixo ou PMG.

B · Modelos contratuais sendo praticados (vinculação Concessionária–Construtora)

Quatro tipologias contratuais convivem hoje em PPPs rodoviárias BR. Cada uma transfere riscos em momento diferente do ciclo, com consequências práticas distintas:57

TipologiaMomento da Transferência de RiscoQuem assume o quêOnde se aplica hoje
EPC (Lump-sum)
Preço global fechado
PG
No início da obra · contratado após pré-construção, projeto ~70% pronto Construtora assume: preços, quantidades, solos, prazos · Concessionária mantém: ambiental, desapropriações Concessões com escopo bem definido · trechos rodoviários simples · maioria das obras leves de duplicação
Preço Unitário (PU)
Por planilha de quantitativos
PU
Híbrido · transferência gradual conforme medições Construtora: preços unitários · Concessionária: quantidades reais executadas e perfil geológico Concessões com geotecnia incerta · trechos com OAEs · escopo de difícil quantificação prévia
CMaR / CM-at-Risk
Construction Manager at Risk
CMRECI
Bem antes da obra · construtora envolvida desde pré-construção Construtora: preços unitários e/ou quantidades via PMG · Concessionária mantém quantidades caso PU residual · "envolvimento precoce" Concessões complexas · grandes OAEs · túneis · trechos com fundações críticas · Caso Rodoanel
Design-Build (DB)
Projeto e construção integrados
PG
Imediatamente · transferência ampla logo após assinatura · permite fast-track Construtora assume tudo (preços + quantidades + projeto + prazos) · Concessionária só ambiental + desapropriação Concessões padronizadas · trechos rurais · obras de duplicação com geotecnia conhecida

C · Dois exemplos · um nominal, um genérico

Para ilustrar como esses modelos operam na prática, dois casos:

CasoModelo aplicadoCaracterísticas-chave
Exemplo 1 · Rodoanel SP
Concessão pública (Governo SP / ARTESP)
CMRPMGPUPGECIEI
Diálogo Competitivo + sequência PMG → PU → PG + Engenharia Independente como árbitro
Sistema: CMR (envolvimento precoce da construtora desde pré-construção)
Preço sequencial: PMG no início → PU para itens incertos → PG após projeto detalhado
Governança: EI atua como árbitro técnico independente · open book em itens críticos
Resultado: reequilíbrios drasticamente reduzidos · obra avança com clareza de alocação
Exemplo 2 · Concessão Genérica (caso típico)
PPP rodoviária com modelo dominante hoje
CMRPMGPG
CMR + PMG → migração para PG após pré-construção (EPC < PMG)
Licitação: 90 dias com CAPEX em nível conceitual
Pré-construção: ~18 meses para desenvolver projeto e fechar PMG
Transição: assinatura do contrato de construção apenas se EPC final ≤ PMG (senão, vai para licitação por menor preço)
Riscos: quantidades, geotecnia, prazo → construtora · ambiental, desapropriações → concessionária
Fragilidade: sem PU residual, "surpresas" durante obra geram aditivos/claims · projetista permanece no caminho crítico

D · O ciclo "alocação de riscos vs incertezas" do CAPEX

O ponto crítico da prática atual: durante a pré-construção, o risco de "CAPEX adotado < EPC efetivo da construtora" não muda substancialmente. A diferença entre orçamento oficial, CAPEX adotado na licitação e EPC final continua sendo absorvida pela concessionária, não pelo concedente.5

⚠️ Quatro pontos críticos evidenciados na prática brasileira atual
  1. PPPs sem projeto de CAPEX maduro — leilão com 20% de projeto força risco para a concessionária
  2. Alocação de riscos contratuais desbalanceada — construtora recebe risco que não controla (quantidades, geologia, prazo)
  3. Demanda × Capacidade do mercado — falta de equipamentos críticos, mão de obra e projetistas no caminho crítico
  4. Quantitativos contratuais frágeis — sem PU residual ou ECI formal, sobram aditivos e reequilíbrios

E · Alternativas em discussão para o de-risking do projeto

O debate atual no setor brasileiro converge em quatro direções para reduzir esses riscos sistêmicos:57

  • Maior nível de projeto no momento da licitação PPP — projeto básico mínimo (35-50%) em vez de conceitual (20%)
  • Otimização da estrutura contratual Concessionária-Construtora — usar PG/PU/PMG combinados em vez de modelo único
  • Envolvimento da Construtora desde a Licitação — ECI formal, garantindo competência técnica precoce
  • Estruturas de alinhamento — benefício fixo da construtora em caso de incremento de custos diretos · variação aberta ao desenvolvimento do projeto · mecanismos de vínculos estratégicos de confiança
A recomendação central do GT (Rec #12 ⭐)

Adotar o modelo brasileiro equilibrado PU no leilão → PG + PU residual após detalhamento em concessões de construção pesada. Distribui o risco onde ele realmente está, reduz drasticamente reequilíbrios, e mantém alinhamento de incentivos durante todo o ciclo. Não exige reforma legal — opera no quadro atual.

▰ Fontes citadas neste capítulo
  • Apresentação AP de 03/12/2025 · "Ótica do Construtor" · Manta Associados. 3 dimensões + PMG + SICRO + boa fé.
  • Apresentação AP4 de 16/10/2025 · "Alocação de Riscos em Contratos Privados — versão completa" · Manta + Aroeira Salles.
  • Apresentação AP6 de 01/12/2025 · "Ótica do Empreendedor" · Manta + Aroeira Salles. RDC + ECI + Matriz de Risco.
  • Caso Rodoanel SP · concessão Governo de SP / ARTESP. PPP com CMR + PMG → PU → PG sequenciais + Engenharia Independente.
  • Apresentação ABDIB_GT_07maio2026_v10.html · "Estruturas de Preço e Alocação de Risco — Tendências globais + Caso Rodoanel" · Manta + Aroeira Salles, 07/05/2026.
  • Lei 14.133/2021 · Lei Federal de Licitações e Contratos Administrativos · regimes do Art. 46.
  • Lei 12.462/2011 · Regime Diferenciado de Contratações (RDC).
Capítulo 4 · Mundo + Brasil

Tendências Globais e o Quadro Legal Brasileiro

O que o mundo está fazendo em 2024-2026 · o que o Brasil pode fazer hoje · o que ainda exige debate regulatório.

4.1 Tendências Globais 2024-2026 · síntese

Os últimos 24 meses concentraram mais inovação contratual do que as duas décadas anteriores. Driver macro: corrida dos data centers de IA + choques de tarifas + cadeia logística.

Tendência · PaísCaracterísticaStatus
Progressive DB · EUADB com QBS + PMG em milestones (30-60-90%) + off-rampPadrão no setor de água · FHWA endossou 2025
JCT Target Cost · UKPrimeira versão oficial JCT Target CostLançado jun/2025
Alliance · AUS / NZMultipartes em contrato único · 100% TOC324 alianças · US$ 60 bi · economia 3,5% custo · 7% prazo
IPD · EUAOwner + projetista + construtor em contrato únicoSutter Health pioneiro · expandindo para infraestrutura
FIDIC Collaborative · globalPrimeira versão de contrato colaborativo FIDICLançado dez/2024
NEC4 · global6 opções de pricing (A-F) · adotado HK · Peru · África Sul · SingapuraSingapura adotou abr/2024
Fontes Bain · Deloitte · POWER Magazine · EY · AGC · Walker (Emerald 2025) · Colliers · BCLP/PLC · DOT South Dakota · Norton Rose Fulbright · Hill Dickinson · Nishimura & Asahi.

4.2 O Quadro Legal Brasileiro · liberdade contratual ampla

Mercado Privado

Em contratos privados, não há barreira legal para target cost, alliance, IPD, ECI formal, milestones de pricing, open book auditado. Limitações são culturais e de padronização, não jurídicas.

Mercado Público · Lei 14.133/2021 · regimes do Art. 46

RegimeO que possibilitaUso atual
Empreitada por preço unitárioDBB tradicionalAmplamente usado
Empreitada por preço globalLump sum públicoComum
Empreitada integral (turnkey)Equivalente a EPCLimitado
Contratação integradaDB · projeto + obra com responsabilidade únicaCrescendo
Contratação semi-integradaAnteprojeto + DB · compatível com lógica PDBSubexplorada
Diálogo competitivoNegociação iterativa · abre milestones de pricingSubexplorado

Lei 12.462/2011 · RDC

Anterior à Lei 14.133, o RDC já admitia regimes integrado e semi-integrado. Continua aplicável a contratações específicas.

4.3 O que dá pra fazer hoje no Brasil sem reforma legal

✅ Viável hoje

Operável dentro do quadro atual

  • Target cost com pain/gain share via DB integrado
  • ECI formal pré-licitação via diálogo competitivo
  • Open book auditado por ICE
  • Cláusulas de escalação automática (top-5 insumos)
  • Milestones de pricing (lógica PDB) via semi-integrado
  • Modelo equilibrado PU→PG+PU residual ⭐
⚠️ Requer debate regulatório

Ainda exige adaptação institucional

  • Alliance multipartes em obra pública
  • IPD puro com "no fault — no blame" em obra pública
  • Pool de remuneração em risco multipartes
  • Compartilhamento de margem operacional de longo prazo
▰ Fontes citadas neste capítulo
  • Bain & Company · "U.S. Power Demand Outlook" · outubro/2025.
  • Deloitte Insights · "2026 Engineering & Construction Industry Outlook".
  • POWER Magazine · "The EPC Partnership Paradigm" · novembro/2025.
  • Ernst & Young LLP (EY) · "Collaborative contracting can help infrastructure projects" · março/2025.
  • DOT South Dakota · "Progressive Design-Build One Pager" · fev/2025 · FHWA federal guidance.
  • AGC (Associated General Contractors of America) · Material Cost Reports 2025.
  • JCT · "Target Cost Contract" · UK, jun/2025.
  • Colliers Project Leaders · "Alliance Contracts" · jun/2025.
  • NEC4 · adoção Singapura (Nishimura & Asahi, out/2024) · HK · Peru · África do Sul.
  • BCLP/Practical Law · "FIDIC International Contract Users' Conference 2024".
  • Hill Dickinson · "Understanding NEC, JCT and FIDIC" · jun/2025.
  • Norton Rose Fulbright · "Infrastructure delivery methods: Emerging variants".
  • Lei 14.133/2021 · Lei Federal de Licitações e Contratos Administrativos.
  • Lei 12.462/2011 · Regime Diferenciado de Contratações (RDC).
▰ Parte II · Alocação de Risco

A alocação que decorre do modelo

Matriz e tempos dos riscos · ECI como pré-alocação · tratamento do lucro como incentivo.
05
▰ Parte II · Alocação de Risco
Matriz, Alocação e Tempos dos Riscos
8 categorias de risco · cruzamento com modelos contratuais · tempos de materialização no ciclo · a expectativa de preço do Construtor sob risco.

Matriz, Alocação e Tempos dos Riscos

8 categorias de risco · cruzamento com modelos · tempos de materialização no ciclo · a expectativa de preço do Construtor.
▰ Matriz 2×2 · Risco × Incerteza · alocação eficiente
↓ BAIXA INCERTEZA ↓↓ ALTA INCERTEZA ↓
→ ALTO IMPACTO →
Q1 · Risco gerenciávelInflação, câmbio, insumosAloca por contrato com índice + buffer
Q2 · Risco críticoGeotecnia, projeto, ambientalMantém com concessionária OU compartilha via PU + ECI
Q3 · Risco residualProdutividade, mão de obraAloca à construtora · BDI absorve
Q4 · Risco operacionalMudanças regulatórias, tributárioMantém com concessionária via reequilíbrio

Regra: aloca o risco a quem melhor pode gerenciar. Q2 (incerto + alto impacto) é onde mais se erra hoje no Brasil — transfere-se à construtora sem compensação adequada.

5.1 As 8 categorias de risco em construção pesada

CategoriaDescriçãoMagnitude típica
ProjetoErros, omissões, subdimensionamento. Quem responde absorve.Crítico · centenas de milhões em obras > R$ 1 bi
QuantidadeDiferença entre licitado e medido. Geotecnia, projeto incompleto.Alto · ±30-50% em itens
Geotecnia · InterferênciasSurpresas no subsolo, redes não mapeadas.Alto
ProdutividadeCapacidade do construtor vs hipóteses do BDI.Médio
Insumos · preço/disponibilidadeAço, cimento, asfalto, equipamentos.Alto · choques 25-30% em 2025
PrazoAtraso por gestão ou externos (licença, desapropriação).Médio a alto
Ambiental · DesapropriaçõesTipicamente do Empreendedor. Pode bloquear obra.Alto
MacroeconômicoCâmbio, juros, política. Em prazos longos virou risco-chave.Médio · tendência de alta

5.2 ⭐ Matriz cruzada · Modelo × Risco × Parte responsável

Esta tabela é a demonstração compacta da tese do Cap 2: a escolha do modelo determina quase mecanicamente a alocação dos riscos.

RiscoDBB · PUDBB · GlobalDB · EPCCMR · PMGPDB · Target
ProjetoEECEC
QuantidadeECCE→teto, C>EC
ProdutividadeCCCECEC
InsumosCCCECEC
Ambiental · Desap.EEEEE
MacroC (BDI)C (BDI)C (BDI)EC (fórmula)EC (banda)

E = Empreendedor · C = Construtor · EC = Compartilhado

5.3 Tempos · quando cada risco se materializa · Privado vs Público

Riscos não apenas são alocados diferentemente. Eles também se materializam em momentos diferentes do ciclo.

FaseObra PúblicaObra Privada · PPP
Antes do leilãoProjeto executivo pronto · risco mapeadoAnteprojeto (20%) · riscos hipotéticos
No leilãoDisputa por PU com quantitativos firmesDisputa por outorga/tarifa · risco diferido
Pós-leilão imediatoConstrutor executa o licitadoProjeto detalhado vira caminho crítico
Pré-construçãoCurta ou inexistente12-18 meses · projeto em paralelo
ExecuçãoRiscos no contrato pré-fixadoRiscos contra PMG em movimento
Quando o risco aparece~80% antes do leilão~60% só após o leilão
A implicação prática Obra pública: gestão do contrato é gestão de execução. Obra privada: gestão do contrato é gestão de descoberta de risco. PMG, ECI, PDB, PU residual existem para administrar essa segunda situação.

5.4 ⭐ A expectativa de preço do Construtor no leilão privado

Dinâmica exclusiva do mundo privado: no leilão da concessão, o Construtor tem apenas uma expectativa de preço, não um preço firme. Essa expectativa sustenta o lance do Investidor (TIR, tarifa, plano de negócios).

É confirmada (ou não) somente no final do detalhamento — 12-18 meses após o leilão.

▸ Cenário 1 · Expectativa confirmada

Projeto detalhado valida estimativa

  • Quantidades batem com hipóteses
  • Insumos dentro do esperado
  • Geotecnia não surpreende
  • Contrato segue · Plano EF preservado
▸ Cenário 2 · Expectativa não confirmada

Detalhamento mostra preço superior

  • Quantidades crescem 20-50%
  • Insumos cotam acima
  • Geotecnia surpresa exige reforço
  • Construtor "fura o teto" · vira claim ou reequilíbrio
Por que isso justifica os modelos colaborativos A janela 12-18m entre expectativa e confirmação é exatamente o que PMG, ECI, PDB com milestones, Target Cost e PU residual foram criados para administrar. Sem mecanismos, alternativa é engessar em lump sum com BDI inflado ou aceitar claim no final. Nenhum dos dois é bom.
Capítulo 6 · Pré-alocação e Incentivos

ECI e o Tratamento do Lucro

ECI desloca o ponto de definição de risco · o tratamento do lucro (% vs absoluto) muda os incentivos do contrato inteiro.

6.1 ECI · Early Contractor Involvement

Prática de envolver o Construtor cedo no projeto, antes da assinatura do contrato definitivo. Permite que conhecimento construtivo entre no projeto, riscos sejam identificados antes de virarem aditivos.

T0
Estudo inicial
+3m
⭐ ECI · Construtor entra
+12m
Refinamento conjunto
+18m
Negociação PMG
+24m
Contrato definitivo

ECI no CMR brasileiro: já existe na prática — falta formalização (milestones definidos, off-ramp contratual claro). É a porta de entrada brasileira para PDB sem reforma legal.

6.2 ⭐ O Tratamento do Lucro · onde estão os piores incentivos

Dentro de um PMG, a forma como o lucro do Construtor é contratado muda completamente os incentivos. Escolha subestimada e impactante.

AlternativaMecânicaQuando custo direto sobe...Incentivo
Alt 1 · % do Custo
prática BR tradicional
Lucro = 10% × CD RealLucro sobe juntoPerverso
Alt 2 · Absoluto Fixo
open book mundial
Lucro = R$ 200 mi travadoLucro constanteSaudável

Simulação rápida · CAPEX R$ 2 bi / Lucro nominal R$ 200 mi

Cenário (R$ mi)A · Economia
CD=1.350
B · Envelope
CD=1.700
C · Fura
CD=1.900
D · ≈PMG
CD=1.580
Alt 1 · % do custo135170 ↑−100158
Alt 2 · absoluto fixo200200−100200
⚠️ O ponto crítico — Cenário B na Alt 1 Com lucro % do custo, quando construtor estourou o preço-base, seu lucro subiu de R$ 150 mi (planejado) para R$ 170 mi (realizado). Incentivo direto à inflação de quantidades. Em obras com 30-40 mil itens, isso é problema sério.
✅ O efeito da Alt 2 Construtor sabe desde a licitação que sua margem é R$ 200 mi independente do custo final. Sem incentivo a estourar, sem sandbagging na licitação. É a prática open book mundial. Recomendação #3 do GT.

6.4 ⭐ Seguros como instrumento de gestão de risco

Seguros em construção pesada não devem ser tratados como mera obrigação contratual ou caixinha burocrática. Eles são ferramenta estratégica de alocação de risco: cobrem aquilo que sobra depois da matriz contratual ter feito o seu trabalho. Bem usados, são complemento — nunca substituto — da boa alocação contratual.32

Os 6 tipos principais aplicáveis em obras pesadas

🏗️ RC Obras / CAR
Cobre danos a terceiros + danos à própria obra civil durante a execução. Inclui geralmente colapso parcial, incêndio, fenômenos da natureza.
Tomador típico: Concessionária (que é dona da obra)
🛡️ Performance Bond
Garantia financeira de cumprimento integral do contrato pela Construtora. Aciona-se em caso de inadimplência ou abandono.
Tomador: Construtora (Concessionária é beneficiária)
💰 Advance Payment Bond
Garante devolução de adiantamentos pagos à Construtora caso não execute o escopo correspondente.
Tomador: Construtora (Concessionária é beneficiária)
⏰ ALOP / DSU
Cobre lucros cessantes da Concessionária por atraso na entrega — não pode operar/cobrar tarifa no prazo previsto.
Tomador: Concessionária (proteção do fluxo financeiro)
📐 RC Profissional · E&O
Cobre erros e omissões de projeto — patologias decorrentes de projeto inadequado, dimensionamento falho, especificações erradas.
Tomador: Projetista (ou Construtora em DB)
📜 Seguro Garantia
Alternativa brasileira ao Performance Bond. Cumprimento contratual garantido por seguradora; muito usado em concessões públicas e privadas no Brasil.
Tomador: Construtora

Boas práticas no uso de seguros em construção pesada

  1. Mapear a matriz de risco ANTES de definir a apólice. Seguros devem cobrir os riscos identificados na matriz, não pacotes pré-definidos da seguradora. A apólice é função da alocação, não o contrário.
  2. Definir o tomador correto. Quem suporta o risco contratualmente deve contratar o seguro — ou ser beneficiário direto, com cláusula expressa de cobrança.
  3. Especificar limites e franquias por categoria. Limites baixos = seguro inútil em sinistros relevantes. Franquias altas = risco residual significativo. Ambos precisam ser calibrados ao porte do projeto.
  4. Atenção crítica às exclusões. Geotecnia, ambiental e força maior são frequentemente excluídos — quando o GT brasileiro mais precisa deles cobertos. Verificar e tratar contratualmente o que a apólice deixa de fora.
  5. Integrar seguros com a gestão de mudanças. Aditivos contratuais podem invalidar coberturas se não houver atualização da apólice. Toda mudança relevante de escopo, prazo ou valor deve ter trilha de atualização da apólice.

Capacidade do mercado segurador brasileiro

O mercado segurador brasileiro tem capacidade limitada para grandes obras de construção pesada. Projetos acima de R$ 1 bilhão frequentemente exigem resseguro internacional, em que resseguradoras estrangeiras (Munich Re, Swiss Re, AXA XL, Lloyd's) impõem condições próprias sobre matriz de risco e modelos contratuais.32

Esse fato tem uma consequência importante para o GT: quanto mais alinhado ao padrão internacional (FIDIC, NEC4) for o modelo brasileiro, mais barata e abrangente será a cobertura disponível. É outra razão estrutural para o Brasil consolidar boas práticas alinhadas às suítes contratuais globais — não por modismo, mas por custo de capital.

A tese do capítulo sobre seguros

Seguro é o que cobre o que sobra da alocação contratual — não o que substitui a alocação contratual.

O desenho contratual (Sistema × Forma × Preço × Matriz de Risco) deve ser decidido antes da estrutura de seguros. A apólice calibra os riscos residuais: aqueles que não podem ser eliminados ou alocados a alguém específico, e que portanto fazem sentido transferir ao mercado segurador. Tratar seguro como primeira linha de defesa é caro, ineficaz e perigoso.

6.5 ⭐ A regra de ouro da contingência · medição obrigatória sem lucro

Toda contingência contratual (reserva técnica, eventos compensatórios, variações para mais em PMG, itens de reequilíbrio) deve obedecer a uma regra estrutural que o GT propõe como recomendação central. Esta regra define o tratamento brasileiro adequado da contingência em qualquer modelo contratual com PMG, target cost, GMP ou variação para mais.

▰ Regra de ouro · contingência sempre com critério de medição
A contingência deve ter sempre um critério de medição objetivo, normalmente a custos unitários sem BDI/lucro. A variação para mais cobre apenas o custo direto, não remunera lucro adicional à construtora.
▰ Como funciona na prática:
Contingência paga = Custo unitário do SICRO ou tabela contratadaR$ X / un
+ Mão de obra direta + materiais + equipamentos (custo direto)incluso
+ BDI cheio (lucro, IRPJ/CSLL, riscos, administração central)excluído
+ Margem de lucro % sobre o custo extraexcluído

Por que essa regra é crítica

  1. Elimina incentivo perverso de inflar contingências. Sem lucro sobre a variação, a Construtora não tem motivo para sub-orçamentar na proposta original e depois "descobrir" extras durante a obra. O incentivo fica neutro.
  2. Mantém a margem comercial protegida. A Construtora não perde nada — seu lucro contratado (do escopo base) continua intacto. Apenas não ganha mais com variações para cima.
  3. Cria transparência open book. Como a contingência é medida a custos unitários definidos contratualmente (SICRO ou tabela), não há disputa sobre o "valor justo" do extra. Mede-se, multiplica, paga.
  4. Habilita Engenharia Independente (EI) como árbitro técnico. A EI valida quantidades e a tabela valida preços. Reduz drasticamente disputas e claims.
  5. Alinha incentivos das partes. Concessionária paga o custo real do extra (sem ser penalizada por margem inflada). Construtora executa o extra (sem ganhar com isso, mas sem perder). Conflito eliminado.

Como aplicar contratualmente

  • Cláusula expressa: "variações para mais serão remuneradas a custos unitários da Tabela X (SICRO/SBC/contratual) sem aplicação de BDI"
  • Tabela de custos unitários contratada na assinatura, não negociada depois
  • Medição em campo conjunta · Concessionária + Construtora + EI
  • Pagamento mensal seguindo o boletim de medição validado pela EI
  • Reequilíbrio EF disparado apenas se contingência exceder buffer pré-acordado (típico: 5-10% do CAPEX original)
A recomendação central · Rec #6 ⭐

Toda concessão de construção pesada no Brasil deveria adotar contratualmente que variações para mais (contingências, eventos compensatórios, reequilíbrios técnicos) são pagas a custos unitários sem BDI/lucro. Esta regra simples elimina 80% dos pontos de conflito típicos entre Concessionária e Construtora, sem prejudicar o lucro contratado de nenhum lado. É um dos pilares do tratamento moderno do lucro como incentivo.

▰ Fontes citadas neste capítulo
  • Apresentação AP de 03/12/2025 · "Ótica do Construtor" · Manta Associados.
  • Apresentação AP4 de 16/10/2025 · "Alocação de Riscos em Contratos Privados" · Manta + Aroeira Salles.
  • EY · Collaborative contracting can help infrastructure projects · março/2025 · sobre incentivos colaborativos e tratamento do lucro.
  • JCT · Target Cost Contract · UK, jun/2025 · mecânica de pain/gain share.
  • Colliers Project Leaders · Alliance Contracts · jun/2025 · pool de remuneração em risco.
  • NEC4 · Option C · Target Contract with activity schedule · variação cost-based, pain/gain.
  • Lei 14.133/2021 · regime de aditivos contratuais e equilíbrio econômico-financeiro.
  • Apresentação AP6 do GT · "Seguros em Construção Pesada" · Manta + Aroeira Salles, 06/abril/2026. Origem da subseção 6.4 sobre seguros.
▰ Parte III · Modelo de Gestão

A gestão que decorre do modelo

Atores e governança · boa-fé operativa · gestão formal de mudanças e pleitos.
Capítulo 7 · Governança

Atores, Governança e Boa-Fé Operativa

Os 6 atores principais · papel de cada um · boa-fé como cláusula operativa, não doutrinária.

7.1 Os 6 atores principais

AtorFunção primáriaVariação por modelo
Empreendedor
(owner / concessionário)
Define escopo · financia · suporta riscos não transferidosEm DB/EPC delega quase tudo · em DBB/CMR mantém projeto
ConstrutorExecuta a obra físicaEm EPC responde também por projeto · em CMR só executa
ProjetistaElabora o projetoIndependente em DBB/CMR · integrado em DB/EPC
Regulador
(ARTESP, ANTT, ANEEL, ANTAQ)
Define matriz de risco · gatilhos de reequilíbrioCentral em concessões
SeguradorPerformance bond · advance payment · all-risksGarante teto em PMG · execução em lump sum
Financiador
(BNDES, multilaterais, debêntures)
Financia CAPEX · exige covenantsAtor central de governança via covenants

7.2 Engenharia Independente · um dos instrumentos de transparência

Em contratos brasileiros de concessão (notadamente ARTESP), utiliza-se a figura da Engenharia Independente (EI) contratada para validar tecnicamente decisões críticas: auditar quantidades, validar projetos, conferir cálculos de PG, atestar marcos.

Paralelos internacionais: ICE (NEC4) · ICA (FIDIC). Função: institucionalizar transparência técnica entre as partes em momentos críticos. É um dos instrumentos disponíveis — útil em contratos > R$ 500 mi. Não é regra fixa.

7.3 Boa-fé como cláusula operativa

A boa-fé deixou de ser princípio doutrinário e virou cláusula prática nos contratos colaborativos modernos:

  • NEC4 · Article 3 — collaborative working obligation com efeito interpretativo
  • JCT 2024 — incluiu cláusula similar mesmo em modelos lump sum
  • FIDIC Collaborative — princípio de Collaborative Management Team
  • Brasil — Código Civil Art. 422 consagra boa-fé objetiva · falta operacionalizar dentro do contrato

Cláusulas operativas recomendadas

  • Obrigação expressa de notificação tempestiva (prazo de 7-14 dias)
  • Obrigação de mitigação por todas as partes
  • Troca de informações documentada
  • Reuniões obrigatórias de governança em períodos críticos
  • Mecanismo de escalação de disputas antes da arbitragem
Capítulo 8 · Gestão ⭐

Gestão de Mudanças e Pleitos em Grandes Projetos

Mudar é parte natural do processo, não exceção. Reequilíbrio é parte da gestão de mudanças, não o todo. Mediação prévia e arbitragem como instâncias finais.

8.1 Por que mudança é normal em grandes projetos

Em obras de 4-6 anos com CAPEX bilionário, é estatisticamente garantido que mudanças ocorrerão. Fontes previsíveis: geotecnia surpresa · escopo que evolui · regulação que muda · mercado que altera · interferências descobertas · otimizações construtivas · eventos externos.

A pergunta operacional não é se haverá mudança — é como o contrato a recebe.

8.2 Mudança gerida × Mudança disputada

▸ Mudança GERIDA

Vira change order formal

  • Notificação tempestiva por procedimento
  • Análise técnica documentada
  • Cálculo de impacto custo/prazo
  • Comitê de mudanças aprova
  • Atualização contratual formal
  • Sem litígio · sem desgaste
▸ Mudança DISPUTADA

Vira claim ou pleito

  • Notificação tardia ou ausente
  • Disputa sobre fato gerador
  • Disputa sobre quantificação
  • Acúmulo até a entrega
  • Arbitragem ou judicialização
  • Custo de transação alto

A diferença raramente está na natureza do evento — está em existir ou não procedimento formal de gestão de mudanças.

8.3 Magnitude da mudança × Instrumento adequado

PEQUENA
< 1% CAPEX
Ajuste via PU residual ou apropriação dentro do BDI
Imediato · em medição
INTERMEDIÁRIA
1-5% CAPEX
Change order formal · ajuste de quantitativos · ajuste de cronograma
Semanas a poucos meses
GRANDE
5-15% CAPEX
Compensation event · revisão contratual formal
Meses
CRÍTICA
> 15% ou EF
Reequilíbrio econômico-financeiro junto ao Concedente/Regulador
6-18 meses

8.4 Mecanismos internacionais consagrados

  • FIDIC · Variation Orders (Cláusula 13) · Engineer formaliza, construtor precifica, owner aprova
  • NEC4 · Compensation Events (Cláusula 60) · 21 eventos pré-tipificados · prazos rígidos
  • AIA / EJCDC · Change Orders · directive, proposal, constructive
  • JCT · Variation Clauses · ajustes via instruction do CA

8.5 Protocolo recomendado · contratos > R$ 500 mi

  1. Cláusula de mudanças explícita · definição e fontes
  2. Procedimento de notificação · 7-14 dias com penalidade por atraso
  3. Comitê de Mudanças · reuniões mensais ou sob demanda
  4. Cálculo de impacto padronizado · fórmulas pré-acordadas (CD + BDI travado + lucro absoluto)
  5. Limites de alçada · quem aprova até que valor
  6. Documentação contínua · não acumulada
  7. Auditoria por EI quando existir
  8. Escalação · mediação prévia antes de arbitragem

8.6 Pleitos · Mediação · Arbitragem · Reequilíbrio

Pleito legítimo é aquele em que o construtor identifica evento que altera materialmente as premissas (geotecnia surpresa, mudança de projeto pelo owner, atraso imputável ao outro lado). Não é toda diferença de medição.

Boas práticas modernas preveem:

  • Mediação contratual obrigatória antes da arbitragem (DAB - Dispute Adjudication Board)
  • Arbitragem como instância final · confidencial, mais rápida, especializada
  • Reequilíbrio EF em concessões · mecanismo regulatório distinto da disputa contratual
  • Matriz de gatilhos e procedimentos explícita no contrato
A tese deste capítulo Gestão de mudanças não é luxo — é a infraestrutura contratual que previne claims. Benchmarks internacionais (NEC416, FIDIC17) mostram redução de 60-80% em claims em contratos com protocolo formal. Custo de implantar é baixíssimo vs custo de pleitos evitados. Recomendação #11 do manual.
▰ Fontes citadas neste capítulo
  • NEC4 · Compensation Events (Cláusula 60) · 21 eventos pré-tipificados · prazos rígidos de notificação.
  • FIDIC · Variation Orders (Cláusula 13) · Engineer formaliza variação · construtor precifica · owner aprova ou contesta.
  • AIA / EJCDC · Change Orders · prática americana · três tipos: directive (do owner), proposal (do construtor), constructive (descoberto na execução).
  • Cadernos Técnicos IBDiC · Série Administração de Contratos · 2023. Boas práticas de gestão contratual no Brasil.
  • Lei 14.133/2021 · regime de aditivos contratuais e equilíbrio econômico-financeiro.
▰ Parte IV · Aplicação Prática

Estudo de caso simulado

Caso simulado de concessão R$ 2 bi com PMG · mecânica detalhada · 4 cenários × 2 alternativas.
Capítulo 9 · Caso simulado

Concessão Rodoviária R$ 2 bi · CMR + PMG

Simulação completa: premissas · 4 cenários · 2 alternativas de lucro · duas trajetórias durante a pré-construção.

9.1 Premissas

CAPEX-baseR$ 2.000 mi
ContingênciaR$ 100 mi
PMG totalR$ 2.100 mi
Custo Direto (CD)R$ 1.500 mi (75%)
BDI + ADM LocalR$ 500 mi (25%)
Lucro contratadoR$ 200 mi (10% sobre CD)
SistemaCMR · Pré 18m · Execução 36m

9.2 Os 4 cenários na globalização

CenárioFaixa do PGSituaçãoTratamento
A · Economia limpaPG < 2,0 biAbaixo do preço-baseDevolução do saldo · gain share
B · Dentro envelope2,0 < PG < 2,1Estourou base, cabe na contingênciaAciona contingência por gatilho
C · Fura o tetoPG > 2,1 biExcede o PMGConstrutor absorve · pain share
D · ≈ PMGPG ≈ 2,1 biMeio do caminhoDiscussão sobre uso da contingência

9.3 Simulação · 4 cenários × 2 alternativas de lucro

Item (R$ mi) A · CD=1.350 B · CD=1.700 C · CD=1.900 D · CD=1.580
% fixo %fixo %fixo %fixo
Custo Direto1.3501.3501.7001.7001.9001.9001.5801.580
Indireto + ADM300300300300300300300300
Lucro135200170200190200158200
PG calculado1.7851.8502.1702.2002.3902.4002.0382.080
Margem construtor135200170 ↑200−100−100158200
⚠️ O ponto crítico — Cenário B na Alt 1 Com lucro % do custo, construtor estourou o preço-base e seu lucro subiu de R$ 150 mi para R$ 170 mi. Incentivo direto à inflação.

9.4 Duas trajetórias durante a pré-construção

Dentro do mesmo envelope de R$ 2,1 bi, há duas formas radicalmente diferentes de operar a pré-construção:

▸ Trajetória 1 · saudável ⭐

PU sustentado até globalizar

Licitação → Pré (PU) → Projeto pronto → Obra (PG + PU residual)
  • Risco de quantidade fica com o investidor na pré
  • Investidor permanece dono do projeto
  • Cobra otimização e value engineering
  • Globalização final é justa e auditável
▸ Trajetória 2 · perversa

Globalização precoce do PMG

Licitação → PG imediato → Pré + Obra → Conta final
  • Risco passa ao construtor no dia 1
  • Investidor desengaja
  • Sem cobrança · sem value engineering
  • Resultado: orfandade técnica ou claims
A tese deste caso Transferir o risco de quantidade ao construtor cedo demais é um abandono do projeto disfarçado de previsibilidade. O melhor PMG é aquele em que o investidor ainda tem motivo para olhar planta. Quando o investidor relaxa, o projeto piora — e o construtor herda problema que não é só técnico, é de orfandade. Recomendação #4 e #12 do GT.
▰ Parte V · Fechamento

Recomendações e Conclusão

12 recomendações acionáveis · conclusão · próximos passos do GT.
Capítulo 10 · Recomendações ⭐

12 Recomendações de Melhores Práticas

A síntese acionável do GT. Todas viáveis no quadro legal brasileiro atual, sem reforma. Ordenadas do mais simples ao mais ambicioso.
1

Tratar a escolha do modelo contratual como decisão estratégica

Não como decisão administrativa. O modelo define a alocação de risco — é decisão de governança, não de departamento jurídico.

2

Atenção crítica à responsabilidade de projeto em DBB e CMR

Em projetos > R$ 1 bi, garantir maturidade adequada do projeto antes da licitação ou contratar projetista independente com responsabilidade técnica clara.

3

Lucro absoluto fixo como padrão em PMG

Substituir lucro como % do custo por lucro absoluto fixo. Elimina o incentivo perverso à inflação de quantidades. Mudança trivial tecnicamente, transformadora em incentivos.

4

PU sustentado até a globalização do PG

Em CMR + PMG, sustentar pagamento por preço unitário durante toda a pré-construção, globalizando para PG apenas quando o projeto definitivo estiver pronto. Mantém o investidor engajado.

5

Engenharia Independente como boa prática em contratos > R$ 500 mi

Em contratos de grande porte e estruturas de preço evolutivas, considerar EI para validar transições, atestar quantidades e funcionar como árbitro técnico. Ponderar caso a caso.

6

ECI formal pré-licitação em concessões complexas

Formalizar o Envolvimento Prévio do Construtor com milestones definidos, off-ramp contratual e governança documentada. Porta de entrada brasileira para PDB sem reforma legal.

7

Cláusulas de escalação automática para top-5 insumos críticos

Em prazos > 24 meses, definir fórmula automática de escalação para aço, cimento, asfalto, combustível e equipamentos específicos. Evita que choques macro virem aditivos disputados.

8

Open book auditado em contratos com PMG ou Target Cost

Sem transparência de custos, o PMG e o Target Cost perdem sentido. Open book com auditoria por ICE/EI é precondição operacional.

9

Milestones de pricing (lógica PDB) em projetos com alta incerteza

Em vez de PMG único na licitação, construir o PMG em 2-3 milestones conforme o projeto amadurece. Permite refinamento sem renegociação.

10

Boa-fé como cláusula operativa, não doutrinária

Incluir obrigações concretas: notificação tempestiva, mitigação mútua, governança colaborativa, escalação de disputas antes da arbitragem. Boa-fé que opera, não que decora.

11

Implantar gestão formal de mudanças em contratos > R$ 500 mi

Mudança é parte natural do processo em construção pesada. Incluir cláusula de change management, comitê de mudanças, prazos de notificação, templates de impacto e auditoria por EI. Benchmarks internacionais mostram redução de 60-80% nos claims com protocolo formal.

12

⭐ Adotar o modelo brasileiro equilibrado · PU no leilão → PG + PU residual

Recomendação central do GT. Licitar em Preço Unitário sobre quantitativos preliminares · sustentar PU durante toda a pré-construção · globalizar a maior parte para PG quando o projeto estiver pronto · manter em PU residual os itens de maior incerteza (terraplenagem, contenções, drenagem profunda, fundações de OAE, restaurações). Demonstrado no Caso Rodoanel (Cap 3). Distribui o risco onde ele realmente está e reduz drasticamente reequilíbrios.

Capítulo 11 · Conclusão

Conclusão e Próximos Passos

O que aprendemos no ciclo Mai/2025 → Jun/2026 · próximos passos do GT.

A escolha do modelo contratual define, em grande parte, a alocação de risco e a forma de gestão necessária. Inovar contratualmente no Brasil não é inventar — é combinar criativamente as ferramentas que já existem e conhecer e aprofundar a aplicação dos modelos consagrados internacionalmente.

11.1 Três conclusões organizam o trabalho

  • Mercado privado: liberdade contratual ampla — a inovação é viável e rápida, sem barreira legal.
  • Mercado público: Lei 14.133/2021 e Lei 12.462/2011 já permitem milestones de pricing, ECI formal e open book auditado, tudo sem reforma legal.
  • Caso Rodoanel: a prova brasileira de que a tese funciona — PMG evolutivo + PU + PG + PU residual + EI demonstram que o Brasil já está fazendo. Falta padronizar e estender.

11.2 Linha do tempo · próximos passos

Jun/2026
Entrega deste Manual
Jul/2026
Seminário Presencial SP
Set/2026
Posicionamento ABDIB
2026/2027
Diálogo com reguladores
2027+
GT Seguros · IA Engenharia

11.3 Mensagem final

O Brasil tem uma janela de R$ 757,3 bilhões nos próximos 5 anos. Esse volume só será capturado com modelos contratuais que compensem as fragilidades do ecossistema, não que as amplifiquem. A boa notícia é que todas as ferramentas necessárias já existem — no quadro legal brasileiro, na prática internacional, e no próprio Brasil. O que falta é combinar, padronizar, aprofundar e consolidar.

Este Manual é a contribuição do GT ABDIB nessa direção. Cabe agora ao setor — concessionárias, construtoras, projetistas, financiadores, seguradoras, reguladores e poder concedente — usar as ferramentas que estão à mão.

MAURÍCIO NEVES · MANTA ASSOCIADOS
+
MARIANA MIRAGLIA · AROEIRA SALLES ADVOGADOS

Coordenadores do GT ABDIB · Mai/2025 → Jun/2026

▰ Apêndices

Material complementar e GED

Cronograma · GED com 20 documentos · GT Seguros · IA · Glossário · Bibliografia · Coordenadores.
Apêndice A · Acervo

Cronograma do GT e GED Consolidado

20 documentos únicos: 16 apresentações + 4 documentos de apoio · todos com hyperlink ativo.

A.1 Linha do tempo do GT · 24 meses

MêsEventoEntregas
Mai/2025KickoffReunião Projeto 1 do Comitê (13/05) · Demanda 1 Matriz (28/05)
Set/2025AP1, AP2, AP3Estruturas Concessionária-Construtora · Tempos e Movimentos · Riscos Privados
Out/2025AP3, AP4, AP5Refinamento · Versão completa · Cronograma consolidado
Nov/2025AP4-revÓtica do Empreendedor
Dez/2025AP, AP6, IAÓtica do Construtor · Ótica do Empreendedor · IA na Engenharia
Mar-Abr/2026Timelines + GT SegurosStatus atualizados · GT paralelo Seguros (3 versões)
Mai/2026AP atualTendências globais · Caso Rodoanel · Tese Central
Jun/2026ENTREGA · este Manual v3Manual consolidado

A.2 GED · 16 apresentações com hyperlink

#DataArquivoTemaLink
0104/09/25ABDIB - 04.09.pptxEstruturas atuais Concessionária-Construtora▸ Abrir
0226/09/2520250926 ABDIB Contratos.pptxTempos e Movimentos · PPP rodoviária▸ Abrir
0329/09/2520250929 ABDIB Contratos.pptxAlocação de Riscos em Contratos Privados▸ Abrir
0412/10/25ABDIB - 02.10.pptxVersão refinada Tempos e Movimentos▸ Abrir
0516/10/2520251016_ABDIB_AP4.pptxAP4 versão completa · 3 dimensões + espectro▸ Abrir
0623/10/2520251023_ABDIB_AP5.pptxAP5 · Riscos + Cronograma consolidado▸ Abrir
0704/11/2520251104_ABDIB_AP4 Tev1.pptxAP4 revisada · Ótica do Empreendedor▸ Abrir
0801/12/2520251201ABDIB_AP6.pptxAP6 · Empreendedor · Matriz + RDC + ECI▸ Abrir
0903/12/2520251203_ABDIB_AP.pptx (+Rev1)Ótica do Construtor · 3 dimensões + PMG + SICRO▸ Abrir
1012/202520251201_ABDIB_APR_A_2.pptxIA na Engenharia · Manta Associados▸ Abrir
1103/2026ABDIB_Timeline_Grupo_Mar2026.pptxTimeline do GT · março/2026▸ Abrir
1204/2026ABDIB_Timeline_Grupo_Abr2026.pptxTimeline do GT · abril/2026▸ Abrir
1304/2026ABDIB_GT_Seguros_3slides.htmlGT Seguros · resumo executivo▸ Abrir
1404/2026ABDIB_GT_Seguros_15slides.htmlGT Seguros · versão completa▸ Abrir
1504/2026ABDIB_GT_Seguros_4slides.htmlGT Seguros · versão executiva▸ Abrir
1607/05/26ABDIB_GT_07maio2026_v10.htmlEstruturas de Preço + Rodoanel + Tese Central▸ Entrega

A.3 Documentos de apoio · 4 documentos

#DataArquivoTemaLink
1713/05/25ABDIB.docx + ABDIB.pdfAgenda · Kickoff do GT▸ Abrir
1828/05/25Demanda 1 - Matriz Consolidada.docxDocumento inicial · Matriz Consolidada▸ Abrir
192023Caderno_Tecnico-Adm_Cont_IBDiC.pdfCadernos IBDiC · Administração de Contratos▸ Abrir
2011/2025Livro-Azul-da-Infraestrutura-2025.pdfLivro Azul ABDIB 2025 · 469 projetos / R$ 757,3 bi (Livro Azul ABDIB 2025, p.320)▸ Abrir
Sobre o acesso Documentos armazenados no SharePoint da Manta Associados. Acesso restrito a membros do GT, patrocinadores ABDIB e colaboradores autorizados. Solicitações de acesso aos coordenadores do GT.
Apêndice B · GT Paralelo

GT Seguros em Construção Pesada

Grupo paralelo · papel dos seguros na alocação de riscos em construção pesada.

Principais temas

  • Performance Bond · garantia de execução
  • Advance Payment Bond · garantia de pagamentos antecipados
  • All-Risks · seguro patrimonial e RC de obra
  • Seguro Garantia · instrumento brasileiro tradicional
  • Cobertura para riscos macro · produtos emergentes
  • Mercado segurador brasileiro · capacidade limitada · prêmios subindo

Apresentações iniciais em abril/2026 (versões 3, 4 e 15 slides — GED #13-15). Próxima fase: documento próprio em paralelo a este Manual.

Apêndice C · Tecnologia

IA na Engenharia · Manta Associados

Aplicações de IA na engenharia em apoio à gestão de riscos contratuais em construção pesada.

Aplicações em construção pesada

  • Análise automatizada de matrizes de risco contratual
  • Identificação de inconsistências em projetos executivos
  • Apoio a auditoria de quantidades e medições
  • Análise de claims e identificação de padrões em pleitos
  • Estruturação de cronogramas e caminho crítico
  • Sumarização de documentação técnica volumosa

IA não substitui a escolha do modelo contratual — mas amplifica a capacidade de operar dentro dele. Para EI validando transições, para auditoria contínua de quantidades em PU, para análise documental. Apresentação Dez/2025 (GED #10).

Apêndice D · Referência

Glossário

Definições compactas para consulta rápida.

Sistemas de Entrega

DBBDesign-Bid-Build · projetista e construtor separados · modelo tradicional
DBDesign-Build · construtor responde por projeto + construção
EPCEngineering, Procurement and Construction · DB com suprimentos
CMRConstruction Manager at Risk · "Parceria" brasileira
PDBProgressive Design-Build · PMG em milestones
IPDIntegrated Project Delivery · contrato único multipartes
AllianceMultipartes com remuneração 100% TOC · AUS/NZ pioneiro

Estruturas de Preço

Lump Sum / PGPreço fechado · risco de quantidade no construtor
PUPreço Unitário · risco de quantidade no empreendedor
Cost + FeeReembolso de custo + honorário · risco máximo no empreendedor
PMG / GMPPreço Máximo Garantido · teto com risco compartilhado
Target CostCusto-alvo com pain/gain share dentro de banda
TOCTarget Outturn Cost · custo-alvo final

Conceitos contratuais

BDIBenefício e Despesas Indiretas · forma de precificar risco e indireto
ECIEarly Contractor Involvement · envolvimento prévio
ICEIndependent Cost Estimator · estimador independente · NEC4/PDB
ICAIndependent Certifier · certificador independente · FIDIC
EIEngenharia Independente · prática brasileira
Pain/Gain ShareCompartilhamento de economia ou estouro vs target
Off-rampCláusula que permite retomada pelo empreendedor em PDB
Open BookTransparência total de custos do construtor
SICRO / SINAPISistemas de referência de preços para obras públicas BR

Regulatórios brasileiros

PPPParceria Público-Privada · contrato com contraprestação pública
ConcessãoDelegação de serviço público com remuneração via tarifa
RDCRegime Diferenciado de Contratação · Lei 12.462/2011
Lei 14.133/2021Lei de Licitações · regimes do Art. 46
ARTESPAgência de Transporte do Estado de SP · regula concessões rodoviárias
Reequilíbrio EFReequilíbrio Econômico-Financeiro de concessão
Apêndice E · Bibliografia consolidada

Bibliografia · Fontes numeradas [1]–[30]

Lista numerada de todas as fontes citadas no manual. As referências inline (em superscript laranja) apontam para os números desta lista. Material institucional ABDIB, normativo brasileiro, prática internacional consagrada e apresentações do GT.
▰ I. Fontes Institucionais e Estatísticas Brasileiras
  1. ABDIB · Livro Azul da Infraestrutura 2025 Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base · Diretoria de Planejamento e Economia · novembro/2025. Equipe Técnica: Roberto F. Guimarães (Diretor) · Frederico Barreto (Coordenador de Economia). Capítulo 12 "Projeção de Investimentos Privados 2026-2030", p. 320-330. Quadro resumo p. 320: 469 projetos / R$ 757,3 bi. Situação em 22/10/2025.
  2. IBDiC · Cadernos Técnicos · Série Administração de Contratos Instituto Brasileiro de Direito da Construção · 2023. Boas práticas de gestão contratual em obras de engenharia · referência para o capítulo de Gestão de Mudanças.
  3. CNT · Pesquisa CNT de Rodovias 2024 Confederação Nacional do Transporte. Diagnóstico do Estado Geral das rodovias sob gestão pública (citada no Livro Azul ABDIB 2025).
  4. Revista O Empreiteiro · Edição 602 (Ano LXIV, Ago/Set 2025) "Ranking da Engenharia Brasileira 2025 · As 190 maiores empresas faturaram R$ 143,81 bilhões em 2024" · M3 Editorial · pesquisa exclusiva · 342 páginas. Diretor Editorial: Joseph Young. Análise do Ranking p. 286-291. Tabelas Construtoras Ranking Nacional p. 287, Top 25 p. 295, Geral p. 301-315. Montagem Industrial p. 316. Projetistas e Gerenciadoras p. 319-325. Serviços Especiais p. 326-330. Crescimento setorial acumulado +147,41% entre 2018-2024. Demanda paralela (O&G, Mineração, Indústria, Data Centers, COP30, RS) detalhada nos capítulos respectivos.
  5. Apresentação AP6 do GT · "Seguros em Construção Pesada · Uso Efetivo de Seguros" Manta Associados + Aroeira Salles Advogados · reunião de 06/abril/2026. 6 tipologias de seguros aplicáveis à construção pesada (RC Obras/CAR, Performance Bond, Advance Payment Bond, ALOP/DSU, RC Profissional, Seguro Garantia). Boas práticas de uso (mapear matriz antes da apólice, tomador correto, atenção às exclusões geotécnica/ambiental/força maior, integração com gestão de mudanças). Capacidade do mercado segurador brasileiro e necessidade de resseguro internacional para projetos > R$ 1 bi.
▰ II. Normativo Brasileiro
  1. Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021 Lei Federal de Licitações e Contratos Administrativos. Art. 46 regimes de contratação: empreitada por preço unitário, preço global, empreitada integral, tarefa, contratação integrada, contratação semi-integrada, diálogo competitivo.
  2. Lei nº 12.462, de 4 de agosto de 2011 Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC). Regimes integrado e semi-integrado · base para a transição às novas modalidades da Lei 14.133/2021.
  3. Código Civil Brasileiro · Lei nº 10.406/2002 Art. 422 · boa-fé objetiva como princípio contratual.
▰ III. Apresentações do GT ABDIB (citadas inline)
  1. Apresentação AP de 03/12/2025 · "Ótica do Construtor — 3 dimensões, PMG, SICRO, boa fé" Manta Associados · Aroeira Salles Advogados. Arquivo: 20251203_ABDIB_AP.pptx (ver Apêndice A.2 #9).
  2. Apresentação AP4 de 16/10/2025 · "Alocação de Riscos em Contratos Privados — versão completa" Manta + Aroeira Salles. Arquivo: 20251016_ABDIB_AP4.pptx (ver Apêndice A.2 #5). Sistemas + Estruturas + Espectro de colaboração.
  3. Apresentação AP6 de 01/12/2025 · "Ótica do Empreendedor — Matriz + RDC + ECI" Manta + Aroeira Salles. Arquivo: 20251201ABDIB_AP6.pptx (ver Apêndice A.2 #8). Modelos por perfil de construtora.
  4. Apresentação AP6 (Manta) sobre setor fragilizado Diagnóstico do ecossistema brasileiro frente à onda de investimentos.
  5. Apresentação ABDIB_GT_07maio2026_v10.html · "Tendências Globais + Caso Rodoanel + Tese Central" Manta + Aroeira Salles · 07/05/2026.
▰ IV. Caso Brasileiro de Referência
  1. Caso Rodoanel SP · Concessão Governo de SP / ARTESP Rodoanel Mário Covas. PPP com CMR + Diálogo Competitivo + PMG → PU → PG sequenciais + Engenharia Independente. Demonstração prática brasileira do Modelo Equilibrado.
▰ V. Fontes Internacionais (Empíricas e de Mercado)
  1. Bain & Company · "U.S. Power Demand Outlook" outubro/2025. Demanda elétrica de data centers nos EUA · driver macro da inovação contratual.
  2. Deloitte Insights · "2026 Engineering & Construction Industry Outlook" Deloitte LLP. Tarifas EUA sobre aço/alumínio +25-30% em 2025 · pressão na precificação.
  3. POWER Magazine · "The EPC Partnership Paradigm" novembro/2025.
  4. Ernst & Young LLP (EY) · "Collaborative contracting can help infrastructure projects deliver on their promises" março/2025.
  5. Associated General Contractors of America (AGC) · Material Cost Reports 2025.
  6. Walker, D.H.T. et al. · "Collaborative integrated team project delivery" Emerald Publishing · 2025.
▰ VI. Suítes Contratuais Internacionais e Guias Técnicos
  1. South Dakota DOT · "Progressive Design-Build One Pager" Department of Transportation · fev/2025. FHWA federal guidance.
  2. JCT · Joint Contracts Tribunal · "Target Cost Contract" Suíte britânica · primeiro lançamento oficial jun/2025.
  3. Colliers Project Leaders · "Alliance Contracts" jun/2025. Track record AUS/NZ: 324 alianças entre 1996-2020, US$ 60 bi · economia média 3,5% custo / 7% prazo.
  4. NEC4 · Engineering and Construction Contract 6 opções de pricing A-F. Adotado HK · Peru · África do Sul · Singapura. Article 3: collaborative working obligation. Cláusula 60: Compensation Events (21 eventos tipificados).
  5. FIDIC · International Federation of Consulting Engineers Red, Yellow, Silver, Green, Emerald, Gold Books + Collaborative Contract (dez/2024). Cláusula 13: Variation Orders. BCLP/Practical Law · "FIDIC International Contract Users' Conference 2024".
  6. Hill Dickinson LLP · "Understanding NEC, JCT and FIDIC" jun/2025. Comparação prática das três suítes.
  7. Norton Rose Fulbright · "Infrastructure delivery methods: Emerging variants" Análise dos modelos colaborativos modernos.
  8. AIA · American Institute of Architects · EJCDC · ConsensusDocs Suítes contratuais americanas. AIA cobre IPD · três tipos de Change Orders: directive, proposal, constructive.
  9. Nishimura & Asahi · "Singapore: NEC4 Launch" outubro/2024. Adoção do NEC4 em Singapura.
▰ VII. Outras Referências Complementares
  1. FHWA · Federal Highway Administration (EUA) · Guidance sobre Progressive Design-Build, 2025.
  2. DBIA · Design-Build Institute of America · Guidelines de DB.
  3. Sutter Health · Caso pioneiro de IPD em hospitais (EUA) · referência em modelo Integrated Project Delivery.
▰ Como usar esta bibliografia As citações inline no manual aparecem como N em laranja · clique mentalmente sobre o número para localizar a fonte aqui no Apêndice E. Documentos do GED (Apêndice A.2) têm links diretos ao SharePoint. As fontes internacionais foram consultadas para o trabalho do GT entre Mai/2025 e Mai/2026.
Apêndice F · Coordenação

Sobre os Coordenadores e as Empresas

Coordenação técnica e jurídica do GT ABDIB.

Maurício Neves · Manta Associados

Engenheiro com sólida experiência em projetos de infraestrutura pesada no Brasil. Atuação em concessões rodoviárias, ferroviárias, energia e saneamento. Sócio fundador da Manta Associados. Coordenador técnico do GT pela Manta.

Mariana Miraglia · Aroeira Salles Advogados

Advogada especializada em direito contratual e regulatório de infraestrutura. Atuação em concessões, PPPs e contratos de construção pesada. Sócia da Aroeira Salles. Coordenadora jurídica do GT pela Aroeira Salles.

Manta Associados

Consultoria de engenharia e gestão de projetos de infraestrutura. Estruturação contratual, gestão de riscos, claims, reequilíbrio EF e suporte técnico a empreendedores e construtores.

Aroeira Salles Advogados

Escritório especializado em infraestrutura e regulatório. Concessões, PPPs, contratos de construção, arbitragens e disputas no setor de infraestrutura.

ABDIB

Fundada em 1955, completa 70 anos em 2025. Principal associação representativa do setor de infraestrutura e indústrias de base do Brasil. Este Manual integra a agenda comemorativa.


GT ABDIB · Modelos de Gestão, Alocação de Riscos e Contratos em Construção Pesada

Mai/2025 → Jun/2026 · Edição comemorativa 70 anos ABDIB

Manta Associados · Aroeira Salles Advogados · ABDIB

Apêndice G · Referência cruzada ⇄

Modelos Contratuais Mundiais e Paralelismo Brasileiro

Sumário consolidado: nomes internacionais · nomenclatura e variantes · características-chave · alocação típica de risco · equivalente brasileiro com status de adoção. Peça de referência rápida para o GT.

Como usar este apêndice: a tabela abaixo é a referência cruzada mais completa do manual. Para cada modelo internacional, mostra o que ele significa no contexto original, como ele aloca os riscos, e qual é o equivalente brasileiro — quando existe — com o respectivo status de adoção. Apoia tanto a leitura de literatura internacional quanto a estruturação de contratos no Brasil.

G.1 ⭐ Tabela-síntese · 12 modelos mundiais com paralelismo brasileiro

Modelo Internacional Origem Características-chave Alocação típica de risco ⇄ Equivalente no Brasil
▰ Grupo 1 · Sistemas de Entrega Tradicionais
DBBDesign-Bid-Build · projeto, licitação, construção sequenciais 🇺🇸🇬🇧EUA·UK Empreendedor contrata projetista e construtor separadamente. Projeto pronto antes da licitação. Modelo mais antigo e ainda dominante em obras públicas. Projeto: Empreendedor
Quantidade: Empreendedor (em PU) ou Construtor (em LS)
Construção: Construtor
Empreitada por Preço Unitário (PU)
Empreitada por Preço Global
Art. 46, Lei 14.133/2021Amplamente usado
DBDesign-Build · responsabilidade única por projeto + obra 🌍Mundial Um único contratado responde pelo projeto e pela construção. Permite fast-track (início da obra com projeto em desenvolvimento). Reduz interfaces de gestão. Projeto: Construtor
Quantidade: Construtor
Coordenação: Construtor
BDI tipicamente alto
Contratação Integrada
Art. 46, Lei 14.133/2021 · também Lei 12.462/2011 (RDC)Crescendo
EPCEngineering, Procurement & Construction · turnkey integrado 🌍Mundial Variante do DB com suprimentos integrados. Padrão em energia, indústria, óleo & gás, ferroviário. Contrato em geral lump sum. FIDIC Silver Book é o EPC clássico. Projeto + Suprimentos + Obra: Construtor
Performance: Construtor (garantia de desempenho)
Maior BDI
Empreitada Integral (turnkey)
Art. 46, Lei 14.133/2021Limitado em obra pública
CMR / CM at RiskConstruction Manager at Risk · construtor entra cedo, projetista permanece separado 🇺🇸EUA Construtor é contratado cedo, na fase de projeto, com obrigação de entregar a obra dentro do PMG. Projetista mantém-se contratado separadamente pelo Empreendedor. Tipicamente combinado com PMG (GMP). Projeto: Empreendedor
Quantidade: Compart. (E até PMG, C acima)
Construção: Construtor
Modelo "Parceria" em concessões rodoviárias · Aliança em PPPs
Sem nomenclatura legal específica — operação contratual⭐ Padrão BR atual
▰ Grupo 2 · Sistemas Colaborativos Modernos
PDBProgressive Design-Build · DB com seleção QBS + PMG em milestones 🇺🇸EUA DB com seleção por Qualifications-Based Selection (sem preço na fase 1). PMG construído em milestones (30-60-90% de projeto). Tem off-ramp contratual. FHWA endossou em 2025. Padrão no setor de água. Projeto + Construção: Construtor após milestone
Pré-construção: compartilhada
Off-ramp: permite retomada pelo owner
Contratação Semi-Integrada + ECI
Art. 46, Lei 14.133 · combinação compatível com lógica PDBSubexplorada
IPDIntegrated Project Delivery · contrato único multipartes 🇺🇸EUA · AIA Owner + projetista + construtor (às vezes subs) assinam contrato único multipartes. Cláusulas no fault — no blame. Remuneração em pool atrelada a TOC com pain/gain share. Sutter Health pioneiro em hospitais. Todos os riscos: compartilhados em pool
Margem dos signatários: em risco
Disputas: proibidas contratualmente
Sem equivalente institucional
Exigiria adaptação regulatória para obra públicaAusente
Project AllianceAliança multipartes 100% TOC com pain/gain share 🇦🇺🇳🇿AUS·NZ Multipartes em contrato único. 100% da remuneração atrelada ao TOC. Track record: 324 alianças em AUS/NZ entre 1996-2020, US$ 60 bi em obras, economia média 3,5% custo / 7% prazo. Próximo do IPD com mais "skin in the game". Todos os riscos: compartilhados
Margem: 100% em risco contra TOC
Não há disputas internas
Sem equivalente · mais próximo: consórcio integrado
⚠️ Atenção: "Aliança" em PPP BR ≠ Alliance ContractingAusente
▰ Grupo 3 · Suítes Contratuais Internacionais (cardápios)
FIDICRed · Yellow · Silver · Green · Emerald · Gold · Collaborative (2024) 🌍Global Família de contratos da Federação Internacional dos Engenheiros Consultores. Red Book = obra com projeto do owner (DBB); Yellow = DB; Silver = EPC turnkey; Green = obras menores; Emerald = obras subterrâneas; Gold = DBO. Collaborative Contract lançado em dez/2024. Variável por book conforme alocação contratual
Engineer / DAB / DAAB: instituições centrais
Adotado em obras com financiamento internacional (BIRD, BID, ferrovias federais)
Não tem equivalente direto em legislação brasileiraUso pontual
NEC46 opções de pricing (A–F) + Engineering & Construction Contract 🇬🇧UK · global Suíte britânica com 6 opções de preço como cardápio: A=Lump Sum · B=Re-mensurável · C=Target Cost com share · D=Target Cost com BoQ · E=Cost reimbursable · F=Management. Adotado em Hong Kong, Peru, África do Sul, Singapura (abr/2024). Article 3: collaborative working obligation. Opções A/B: mais ao Construtor
C/D: compartilhado
E/F: mais ao Empreendedor
Sem equivalente direto
Mais próximo: regimes do Art. 46, Lei 14.133/2021 como cardápioNão adotado
JCTJoint Contracts Tribunal · suíte britânica + Target Cost (jun/2025) 🇬🇧UK Suíte britânica historicamente lump sum. Em jun/2025 lançou pela primeira vez um Target Cost Contract oficial. Revisão JCT 2024 incluiu cláusula de boa-fé colaborativa. Standard Building Contract: tradicional lump sum
Target Cost: banda compartilhada
Sem equivalente direto
Princípios da Lei 14.133 e Código Civil cobrem boa-féNão adotado
AIA · ConsensusDocs · EJCDC3 suítes contratuais americanas 🇺🇸EUA Três famílias de contratos padrão americanos. AIA (American Institute of Architects) é a mais antiga · cobre IPD. ConsensusDocs tem viés colaborativo. EJCDC foco em obras de engenharia (saneamento, geotecnia). Change Orders: formalizados (3 tipos: directive, proposal, constructive)
DBIA: guidelines paralelas para DB
Sem equivalente direto
Cadernos IBDiC fazem papel parcial de doc-padrãoNão adotado
▰ Grupo 4 · Estruturas de Preço · Dimensão D3
Lump SumPreço fixo fechado 🌍 Preço fechado por escopo entregue. Risco máximo ao construtor. Adequado quando escopo é maduro e estável. Quantidade · Produtividade · Insumos: Construtor (via BDI) Preço Global · PG
Empreitada por Preço Global · Lei 14.133Usado
Unit PricePagamento por item medido 🌍 Pagamento por quantidade medida × PU contratado. Risco de quantidade no Empreendedor. Quantidade: Empreendedor
Produtividade · Insumos: Construtor
Preço Unitário · PU
Empreitada por Preço Unitário · Lei 14.133 · SICRO/SINAPI como referência⭐ Padrão BR
Cost + FeeCost-reimbursable com honorário 🌍 Reembolso de custo + honorário. Open book. Risco máximo ao Empreendedor. Todos os riscos: Empreendedor
Construtor: honorário fixo
Sem nomenclatura específica
Usado em consultoria e administração de contratoRestrito
GMPGuaranteed Maximum Price · teto garantido 🇺🇸🌍 Cost + Fee com teto comprometido. Compartilhamento via pain/gain share. Open book auditado. Tipicamente em CMR e PDB. Até teto: Empreendedor
Acima: Construtor (ou compart.)
Economia: compart. (gain share)
PMG · Preço Máximo Garantido
Estrutura contratual em concessões BR (sem lei específica)⭐ Adotado em concessões
Target CostCusto-alvo com banda pain/gain share 🇬🇧🇦🇺UK·AUS TOC negociado conjuntamente · banda de variação compartilhada · pain/gain share. NEC4 opção C/D, JCT Target Cost (2025), Alliance. Dentro banda: compartilhado
Fora banda: a definir (caps)
Economia/estouro: divididos
Emergente · viável via DB integrado
Não há nomenclatura padronizada · Manual recomenda adoção⭐ Emergente

G.2 Espectro de colaboração · Mundo ⇄ Brasil

Visualização do espectro adversarial → colaborativo com paralelos brasileiros:

Adversarial → Colaborativo · onde cada modelo se posiciona
Adversarial
DBB + Lump Sum
Empreitada Global tradicional
Transferência
DB · EPC
Contratação Integrada · Empreitada Integral
Intermediário
CMR + PMG
⭐ "Parceria" BR · PMG em concessão
Colaborativo
PDB · Target Cost
Semi-integrada + ECI (subexplorado)
Plenamente colaborativo
IPD · Alliance
Sem equivalente institucional
← Risco transferido Risco compartilhado →

G.3 ⚠️ "Falso amigo" · vocabulário que confunde

Algumas palavras têm significados diferentes no Brasil e no mundo. Conhecer essas armadilhas evita erros graves de leitura e tradução contratual.

No mundo (EN) Alliance Contracting Contrato multipartes com 100% da remuneração em risco contra TOC. Modelo institucionalizado em AUS/NZ desde os anos 1990.
No Brasil "Aliança" / "Parceria" Termo usado em PPPs para a relação concessionária-construtora. Não tem a estrutura de pain/gain share multipartes. É CMR contratual, não Alliance.
No mundo (EN) Engineer (FIDIC) Profissional contratado pelo owner para administrar o contrato. Decide variações, mede, certifica. Função técnica e contratual.
No Brasil "Engenheiro fiscal" Tipicamente um engenheiro civil que fiscaliza obra. Não tem poderes contratuais equivalentes ao FIDIC Engineer. Mais próximo seria o Engenheiro Independente, mas com escopo diferente.
No mundo (EN) Variation Order (FIDIC) · Compensation Event (NEC4) Instrumento contratual formal de gestão de mudanças com prazos rígidos de notificação e cálculo padronizado.
No Brasil "Aditivo contratual" Instrumento administrativo de alteração contratual. Sem prazo rígido de notificação. Tende a acumular para final ou virar pleito.
No mundo (EN) Guaranteed Maximum Price (GMP) Compromisso de teto, com open book auditado, pain/gain share, modalidade interna do contrato CMR ou PDB.
No Brasil PMG · Preço Máximo Garantido Equivale conceitualmente — mas em geral sem open book auditado por ICE/EI institucionalizado. Falta a infraestrutura de validação.
No mundo (EN) Lump Sum Preço fechado por escopo. Risco de quantidade no construtor. Pressupõe escopo maduro na licitação.
No Brasil Preço Global · PG Equivale, mas com particularidade: aplicado em PPP com 20% de projeto, vira modelo de altíssimo risco que não corresponde ao Lump Sum maduro internacional.
No mundo (EN) Independent Cost Estimator (ICE) · Independent Certifier (ICA) Auditor técnico independente contratado para validar custos, quantidades e marcos. Função institucionalizada em PDB, NEC4, FIDIC.
No Brasil Engenharia Independente (EI) Conceito equivalente, presente em concessões da ARTESP. Mas não há padronização nacional · escopo varia por contrato. Falta marco institucional.

G.4 Recomendações de leitura comparada

Para entender melhor…Consulte no manualDocumentação externa
O modelo equilibrado brasileiroCap 3 (Modelos + Rodoanel) · Rec #12Caso Rodoanel · ARTESP
PDB para aplicar no BrasilCap 4 · Cap 6 (ECI)DOT South Dakota PDB One Pager · FHWA 2025
Target Cost / AllianceCap 4 · Cap 9 (tendências)NEC4 opções C/D · JCT TCC 2025 · Colliers AUS
FIDIC / NEC4 em obras BRCap 4 · Apêndice EHill Dickinson · BCLP · documentos FIDIC
Gestão de mudançasCap 8 · Rec #11NEC4 Compensation Events · FIDIC Cláusula 13
A síntese do Apêndice G

O Brasil não precisa importar nomes. Tem instrumentos equivalentes (PMG ≈ GMP, "Parceria" ≈ CMR, EI ≈ ICE/ICA). O que falta é (1) padronizar a infraestrutura de operação (open book, ICE, milestones); (2) preencher os gaps identificados (IPD/Alliance não têm equivalente); (3) aprofundar a aplicação dos modelos que já temos. Inovação contratual no Brasil = aprofundar o que existe + conhecer o vocabulário internacional para evitar reinventar a roda.

▶ Apresentação Executiva · 5 Slides

Versão executiva consolidada para reuniões de 15 minutos · pode ser exibida em tela, impressa em PDF ou exportada para PowerPoint via Word.

1   GT ABDIB · 70 anos · O Contexto Sl 1/5

Uma janela histórica · um setor fragilizado

O Pipeline
R$ 757,3 bi 469 projetos no Livro Azul ABDIB 2025 · 84% privado
Situação 22/10/2025 · Fonte: ABDIB
O Diferencial BR
~8.000 km de rodovias concedidas — maior do mundo. Brasil já é laboratório global.
O Desafio · Gap real
Oferta: R$ 143,8 bi/ano (190 maiores, +147% em 7 anos) · Demanda total: infra + O&G + mineração + DC ≫ oferta · 4 estresses: equipamentos · mão de obra · gestão contratual · projetistas no caminho crítico.

A grande mudança · Privado vs Público

Em obra pública, leilão acontece com projeto pronto e PU sobre quantitativos firmes. Em concessão privada, leilão com 20% de projeto — quantidades e preços só se confirmam 12-18m depois. Projeto detalhado vira caminho crítico pós-leilão.

GT ABDIB · Manta + Aroeira Salles O Por Quê Agora
2   A Tese Central Sl 2/5

O modelo contratual define a alocação de risco ⭐

"A alocação de risco do contrato começa pelo modelo contratual." Modelo errado escolhido cedo não se conserta com gestão sofisticada depois.

MODELO DE CONTRATOAto fundador
ALOCAÇÃO DE RISCOConsequência
MODELO DE GESTÃOInstrumento

Inovação no Brasil ≠ inventar

  • Combinar criativamente as ~150 combinações que já existem (3 dimensões: Sistema × Forma × Preço)
  • Conhecer e aprofundar a aplicação dos modelos consagrados internacionalmente (PDB, Alliance, Target Cost, NEC4, FIDIC)
GT ABDIB · 70 anos ABDIB Tese-mestre do trabalho
3   O Modelo Brasileiro Equilibrado ⭐ Sl 3/5

PU no leilão → PG + PU residual após detalhamento

LEILÃOem PU
PRÉ 12-18mem PU
MARCOglobaliza
EXECUÇÃOPG + PU residual

Por que funciona

Investidor
Mantido engajado durante a pré (PU força olhar quantidade) · ganha previsibilidade no PG.
Construtor
Não assume risco de quantidade sobre projeto imaturo · previsibilidade no PG quando há base sólida.
Itens incertos
Em PU residual: terraplenagem · contenções · drenagem profunda · OAE · restaurações.

Caso Rodoanel SP (ARTESP) demonstra na prática: PMG → PU → PG + PU residual + EI. Nenhuma peça é nova. A inovação está na combinação.

Recomendação #12 ⭐ · central do GT O Modelo de Sucesso
4   12 Recomendações de Melhores Práticas Sl 4/5

Síntese acionável · todas viáveis no quadro legal atual

Modelo = decisão estratégica
Responsabilidade de projeto em DBB/CMR
Lucro absoluto fixo em PMG
PU sustentado até globalizar PG
EI em contratos > R$ 500 mi
ECI formal pré-licitação
Escalação automática top-5 insumos
Open book auditado em PMG/Target
Milestones de pricing (lógica PDB)
Boa-fé como cláusula operativa
⭐ Gestão formal de mudanças
⭐ Modelo PU→PG+PU residual

Todas as 12 recomendações são viáveis sem reforma legal — operam dentro da Lei 14.133/2021 e Lei 12.462/2011.

Manual · Cap 10 Síntese Acionável
5   Próximos Passos do GT Sl 5/5

Da entrega deste Manual à consolidação setorial

Jun 2026
📘 Entrega do Manual · 11 caps · 7 apêndices · ~22 pp
Jul-Set 2026
🎤 Seminário Presencial SP + Posicionamento ABDIB para setor
2026-2027
🤝 Diálogo com reguladores · GT Seguros · IA Engenharia

O recado do GT

O Brasil tem R$ 757,3 bi nos próximos 5 anos1. Só será capturado com modelos contratuais que compensem as fragilidades, não que as amplifiquem. As ferramentas existem — no quadro legal, na prática internacional, no próprio Brasil. Falta combinar, padronizar, aprofundar e consolidar.

MAURÍCIO NEVES · MANTA · MARIANA MIRAGLIA · AROEIRA SALLES

GT ABDIB · Mai/2025 → Jun/2026 Conclusão